Ex-diretor presidente da Fundação Cultural: sobre auxílio ‘o governo, tanto na esfera federal, estadual e municipal, não tomou nenhuma medida em socorro a esses profissionais’ – Opinião

A cultura em tempos de pandemia

Não há dúvidas, o mundo será outro após a pandemia. O covid-19 abalou as estruturas mundiais, e os especialistas não arriscam um prazo para a sua recuperação. No Brasil, de acordo com dados do IBGE de 2018, mais de cinco milhões de pessoas vivem do setor cultural, e essa mão de obra representa 5,7% do total. Vale lembrar que esses trabalhadores são autônomos e, em sua grande maioria, não possuem carteira de trabalho assinada.  

Para um setor que já vinha sofrendo cortes de verbas, por parte do governo, em virtude de ajustes econômicos, o quadro não poderia ser pior. O cenário é catastrófico.

No governo do Temer, o corte no orçamento do Ministério da Cultura atingiu a casa dos 43%, caindo de R$ 721 milhões para R$ 412 milhões, provocando forte reclamação e a renúncia do então ministro Sérgio de Sá Leitão.

Bolsonaro, logo que assumiu, reduziu o Ministério da Cultura a uma secretaria, e é nítida a pouca importância que o presidente dá ao setor. Parte disso, é bom que se diga, deve-se à má e indecorosa gestão da Lei Rouanet, sempre muito generosa com artistas renomados.

O governo atual mostrou-se nada amigável em relação ao cinema brasileiro, propôs o corte de verba de 43% e também maior redução na captação de recursos por meio de participação em empresas e projetos. O orçamento era de R$ 650 milhões e foi para R$ 300 milhões. Se já estava difícil, fica fácil imaginar o drama vivido pelos profissionais da área.

Faço parte de um grupo de WhatsApp formado por músicos de Foz do Iguaçu, e a reclamação é geral. O debate sempre bate na tecla de que o governo, tanto na esfera federal, estadual e municipal, não tomou nenhuma medida em socorro a esses profissionais. Como fora dito acima, não são assalariados, vivem do que ganham à noite para prover o sustento do dia. A situação para alguns é trágica, pois não se enquadram na lei emergencial dos R$ 600.

A palavra do momento é “reinventar”, buscar alternativas. Vi em um programa de televisão que um circo, se não me engano, na cidade de Florianópolis, fez um espetáculo transmitido ao vivo pela internet, em que o espectador compraria o ingresso por um determinado valor, para ajudar a empresa a manter os seus funcionários. Ao que parece, obtiveram sucesso. Porém para os artistas que cantam à noite, nos bares e restaurantes, esta realidade torna-se mais complicada. Diferentemente dos artistas renomados que optaram pelas lives para transmitirem seus shows, alguns com muito sucesso. Não demora muito as empresas de teatro vão utilizar o mesmo recurso.

Todos estão no mesmo barco: atores, artistas plásticos, produtores cinematográficos, cantores e produtores de eventos em geral.

O momento exige uma profunda reflexão e união de esforços de modo a encontrar uma saída. A classe parece silenciosa e necessita urgentemente dar o grito de socorro, colocar as bandeiras nas ruas, chamar a atenção da sociedade. Como diz o velho ditado: “Quem não chora não mama”.

* Marco Aurélio De Matos Alexandre é jornalista e empresário, proprietário da Clínica Doutor Hérnia de Joinville, Santa Catarina.

Ex-funcionário do Setor Elétrico Brasileiro, trabalhou em Furnas, Eletronorte e Itaipu Binacional.

Ex diretor-presidente Fundação Cultural de Foz do Iguaçu.

Fontes: CartaCapital, IBGE, oglobo.com, Folha/UOL. Foto em destaque: Zig Koch – MTUR.
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