Conheça mais sobre os ovos de espécies que vivem no Parque das Aves

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Nesta época do ano, visitante tem a oportunidade de observar os comportamentos reprodutivos das aves e o cuidado das espécies com seus ovos e filhotes

Está aberta a temporada de ovos e filhotes no Parque das Aves. Durante o período que marca o fim do inverno e o início da primavera, o atrativo mais visitado de Foz do Iguaçu depois das Cataratas se torna também uma espécie de berçário para diversas espécies de aves da Mata Atlântica.

As aves costumam botar seus ovos nessa época, porque o clima se torna mais favorável ao nascimento dos filhotes. Com o fim da seca e o auge da floração acontecendo, aumenta a oferta de alimento na natureza. Essa é a chance de turistas, observadores, fotógrafos e admiradores da natureza entenderem melhor como funciona o período reprodutivo das aves.

“Os ovos possuem uma função muito importante na natureza, pois são eles que mantêm os filhotes de muitas espécies de borboletas, répteis e aves que nascerão aqui no Parque nutridos e protegidos até que estejam desenvolvidos o suficiente para eclodirem. Eles também servem de alimento para muitos animais, já que são ricos em proteína, vitaminas e minerais”, explica a diretora técnica do Parque das Aves, Paloma Bosso.

Curiosidades

Há vários tipos de ovos, que se diferenciam na forma, no tamanho, na textura e na coloração, assim como no formato, podendo ser perfeitamente redondos, esféricos e até pontudos, que geralmente é encontrado em ovos colocados no chão, impedindo que rolem. A casca dos ovos contém poros que são muito importantes para a sobrevivência do embrião, possibilitando que o oxigênio entre e o gás carbônico saia.

O tamanho depende da estrutura de cada ave, assim como a coloração, que pode ser desde um branco puro até tons de azul, verde, cinza, bege, marrom, vermelho e laranja. Ovos aparentemente brancos podem ser coloridos quando observados usando luz ultravioleta, que é como muitas aves enxergam.

“A coloração dos ovos diz respeito principalmente à camuflagem, especialmente em espécies que possuem ninhos no solo”, explica Paloma.

Grande parte das aves constrói ninhos em árvores, mas algumas espécies de hábitos terrestres os colocam no chão. Esses ovos são geralmente marrons ou beges, e assim o substrato ajuda a camuflá-los, protegendo-os dos predadores.

 

Exceção à regra

O macuco (Tinamus solitarius), ave que habita o solo das florestas, faz seus ninhos no chão e põe ovos azuis. A cor chamativa poderia tornar os ovos mais vulneráveis aos predadores, mas no caso dessa espécie ela tem uma função muito importante. Em um grupo de macucos, geralmente os machos cruzam com várias fêmeas, que colocam três ovos cada. É nessa hora que o azul vibrante dos ovos auxilia a espécie, pois serve para que as fêmeas enxerguem os ovos de outras fêmeas e coloquem os seus no mesmo local.

Essa estratégia ajuda a manter os ovos em segurança, pois a maioria dos predadores não conseguiria comer todos eles de uma vez, e pelo menos alguns sobreviveriam até o macho chegar para incubar os ovos. Isso porque a responsabilidade de chocar os ovos reunidos passa a ser do macho, mesmo que ele não seja o pai de todos os filhotes. O que faz a diferença para a proteção dos ovos, neste caso, é a cor marrom dos animais, pois assim o macho de macuco consegue se camuflar bem no chão da floresta, protegendo então os ovos.

Ninhos

As aves utilizam seus ninhos para a postura dos ovos, a incubação e o cuidado com os filhotes após o nascimento. Tudo inicia-se no período reprodutivo, no qual os casais estão mais propensos a se acasalar, ao mesmo em que constroem seus ninhos. Esses ninhos podem ser de variados tipos, de acordo com os hábitos da espécie: colados, costurados, esculpidos, escavados, ao chão, atrás de cachoeiras, no meio de lagoas, em paredões de pedra e até torres de igreja, utilizando os mais diversos materiais, como folhas e até mesmo saliva e pelo de outros animais.

Por questões de segurança, a maior parte das aves constrói seus ninhos em árvores. Algumas até mesmo utilizam ninhos abandonados, construídos por outros animais.

O período de incubação de ovos de aves pode variar de 10 a 70 dias, dependendo da ave. A umidade e a temperatura do local têm um papel fundamental no tempo que um ovo demora para ser incubado.

“O embrião depende de aquecimento adequado para seguir com seu desenvolvimento habitual”, explica Paloma.

Uma curiosidade muito comum está na incubação: quem choca o ovo é o macho ou a fêmea? “Isso varia entre as espécies, podendo ser uma atividade partilhada pelos pais, ou realizada exclusivamente pelas fêmeas (como nas harpias) ou pelos machos (como entre macucos e casuares)”, esclarece Paloma.

Ovos caídos no chão

Nessa época é muito comum as pessoas encontrarem ovos no chão, e surgem muitas dúvidas de como proceder. Paloma explica que, na maioria dos casos, o melhor é não intervir.

“Recomendamos sempre que as pessoas não mexam em ovos encontrados no chão, a não ser que tenham visto de onde ele caiu e consigam devolvê-lo em segurança. Isso porque ovos no chão podem ser de espécies que efetuam posturas no solo. Apenas quando os ovos correm risco de pisoteio acidental ou predação, seja pela proximidade de pessoas ou animais domésticos, recomendamos o contato com os órgãos ambientais para que eles possam avaliar e, quando necessário, proceder com sua remoção.”

Sobre o Parque das Aves

Com 25 anos de atuação e 250 colaboradores, o Parque das Aves é a única instituição do mundo focada na conservação de aves da Mata Atlântica. Possui 16 hectares de mata restaurada, 1.500 aves de 150 espécies diferentes, com três viveiros de imersão e um borboletário. O objetivo do Parque das Aves é atuar investindo significativamente para criar um impacto positivo para as aves da Mata Atlântica, principalmente as 120 espécies e subespécies em risco de extinção. O Parque das Aves recebe 830 mil visitantes por ano, sendo o atrativo mais visitado de Foz do Iguaçu depois das Cataratas.




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