Colégio Bertoni defende que a educação do futuro é aqui e agora

5204

Por: Patrícia Buche

Fotos: Armando Abdias 

Os desafios da educação no Brasil devem prever as necessidades da sociedade no futuro. Há muita crítica aos resultados dos estudantes brasileiros nas principais avaliações internacionais de qualidade escolar, mas há também por aqui ilhas de excelência e educadores que não se prendem a essa realidade limitada e trabalham para fazer a diferença. Não esperam acontecer e buscam, em outros países se preciso, o conhecimento necessário para educar as crianças e jovens desta geração. Por isso, a matéria da capa desta edição trata sobre sonhar, acreditar e realizar, trata sobre a educação do futuro, trata sobre o Colégio Bertoni.

Foz do Iguaçu é privilegiada em educação, destacando-se inclusive no cenário nacional. Nessa área, qualidade é reflexo de professores e alunos que se dedicam à busca pelo conhecimento. “Sempre defendemos que a essência da educação é humana e necessita de pessoas com um propósito, que tratem a vida escolar como uma missão, e não apenas um negócio”, destaca o professor e diretor-geral do Bertoni, Fred Ganem.

O Colégio Bertoni, já tradicional em Foz pela excelência e resultados nos vestibulares das principais universidades, vem desde 2013 implantando um conceito de escola internacional focado no desenvolvimento de habilidades do cidadão do século 21. Para isso, seus colaboradores pesquisaram e visitaram escolas na Finlândia, Portugal e Estados Unidos, buscando aprimorar os métodos educacionais aplicados. Estudaram também o modelo das escolas do Japão e Cingapura.

“A principal razão do sucesso desses países nos rankings de educação é o foco no desenvolvimento do pensamento matemático e no uso da linguagem. Os alunos hoje precisam saber, além de escrever bem, fazer apresentações em PowerPoint e defender uma ideia ou um projeto”, afirma o professor Fred.

O nome do colégio homenageia o naturalista e pesquisador suíço Moisés Santiago Bertoni, que chegou à região trinacional em 1884 e, entre tantas pesquisas, ajudou na fundação da primeira farmácia e maternidade de Foz, descobriu e catalogou a planta produtora do adoçante estévia e foi o fundador do primeiro jornal da Tríplice Fronteira. Vale destacar ainda que, neste 2019, completam-se 90 anos de morte de Moisés Bertoni, e os governos do Paraguai e Suíça estão em conversa para fortalecer os laços culturais e de cooperação entre os dois países. A Secretaria Nacional de Cultura (SNC) do Paraguai e da Embaixada da Suíça no país trabalham para republicar o trabalho de Bertoni e promover uma cooperação mais estreita em todos os setores. Vale lembrar que, há dois anos e meio, o Colégio Bertoni implantou unidade em Ciudad del Este e atua no país vizinho com sua proposta de valorização dos estudos.

Mas o que é a educação do futuro?

De maneira geral, a educação do futuro ou educação 4.0 é a educação conectada, na qual há robótica, linguagem computacional e inteligência artificial. Para os professores, porém, a tecnologia por si só não basta. “A educação do futuro não é somente tecnologia, porque de certa forma ela pode limitar a interação humana, assim é necessário reforçar o desenvolvimento da inteligência emocional e do trabalho colaborativo”, explica Vivien Diniz, coordenadora do Programa de Desenvolvimento da Inteligência Emocional do Bertoni.

Amaury Pontieri, jornalista com experiência internacional, professor e diretor cultural do colégio, foi o propositor do Bertoni High School, pioneiro nesse tipo de programa no Paraná. “Com a mudança de rumos na economia mundial, temos que preparar nossos alunos para as melhores universidades do mundo, e o ingresso nelas exige a construção de um currículo coerente desde cedo”, afirma o professor. Em 2018, o Bertoni conseguiu aprovar alunos em universidades nos EUA, China e Canadá.

Thiago Dolzan, aluno do Bertoni desde o ensino fundamental, foi aprovado em diversos vestibulares de Medicina, incluindo o da UnB, em Brasília, ainda no terceiro ano. Ele conseguiu também aprovação em universidades norte-americanas e hoje estuda como bolsista na Universidade de Alberta, no Canadá.

Allen Shi foi aprovado na Tongji University, em Shangai, China. A Engenharia Civil da Tongji é considerada a melhor na China e está entre as melhores do mundo, sendo referência mundial em tecnologias de construção. Além dele, outros dois bertonianos ingressaram no mesmo ano na Tongji. Vale notar que os alunos também foram aprovados em Engenharia na Universidade Federal do Paraná (UFPR), porém optaram por estudar na China.

“Ter aula com os melhores alunos de cada província da China me lembrou das aulas que tive no Bertoni, ritmo rápido e bem aprofundado. Aqui temos mais de cem clubes organizados pelos alunos, participamos de competições internacionais e intercâmbio com diversos países, especialmente da Europa. A vida acadêmica é focada em expandir os horizontes”, diz Allen, ex-aluno do Bertoni Internacional e atual aluno da Tongji.

“O que fez a diferença em todos esses casos foi a formação ampla desses alunos. Sendo fortes em matemática e comunicação, eles passaram por diversas entrevistas em outros idiomas, mantendo controle emocional e correção linguística. Isso é fundamental em uma futura carreira internacional”, ressalta o professor Amaury.

Assim, os professores do Bertoni buscam maneiras de conciliar ensino de excelência, tecnologia e interação ao desenvolvimento dos alunos, mas sem perder a essência de cada um. Para isso, eles definiram três grandes pilares de ensino e passaram a aplicar em sala de aula, resultando em alunos proativos, inteligentes e, acima de tudo, humanos.

Inteligência emocional

O primeiro pilar trabalhado foi a inteligência emocional. O ensino de valores e habilidades interpessoais é outra tendência mundial apontada entre as dez maiores tendências da educação segundo o Cool Hunting Observatory. É importante destacar que habilidades como falar em público, trabalhar em grupo e agir com solidariedade, além de serem muito importantes para a vida, são também exigidas no mercado de trabalho já nas entrevistas e no currículo.

Para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, o colégio possui um programa que inclui aulas semanais da matéria Inteligência Emocional. Além disso, adotou a agenda 2030 da ONU, que valoriza cooperação, trabalho em grupo e sustentabilidade, e é uma das escolas fundadoras da Olimpíada Sapientia, promovida pelo Instituto Vertere e pela editora Cia. das Letras, com o objetivo de desenvolver no país as competências do cidadão do século 21.

Para o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, o Bertoni associou-se ao Franklin Covey Institute e aplica o Programa Líder em Mim, baseado no famoso livro 7 Hábitos das Pessoas Altamente Eficazes. O programa engloba desde a educação infantil até os anos finais. Os principais hábitos desenvolvidos são a proatividade e o senso de propósito, criando alunos capazes de assumir a responsabilidade pelo seu destino, a solidariedade e empatia. O programa do colégio é certificado pelo CASEL (Collaborative for Academic, Social, and Emotional Learning), entidade internacional que avalia programas educacionais em inteligência emocional. “Sempre nos preocupamos em validar nossas propostas junto a entidades isentas, assim como fizemos com o nosso programa de idiomas”, frisa o professor Amaury.

Pensamento matemático

Outra matéria inovadora está relacionada ao ensino da matemática, mas não somente ao estudo de regras e álgebra, e sim ao desenvolvimento da lógica e do pensamento matemático aplicado. Para isso, o colégio dispõe da Sala de Inovação, ambiente específico em que se trabalha com a cultura maker, robótica e programação. As aulas foram desenvolvidas baseadas na resolução de problemas concretos, e os conhecimentos são aplicados no dia a dia para que os alunos possam pensar de forma lógica e com raciocínio rápido. “Isso no século 21 é excelente para preparar os jovens para resolver problemas. É uma forma de responder à típica pergunta ‘para que serve isso aí?’ e também um modo de criar flexibilidade e estratégias mentais para saber como resolver problemas concretos”, explica o professor Amaury.

Para estruturar esse programa, o Bertoni se inspirou no ensino das escolas do Japão e Cingapura, que trabalham o senso numérico, proporcionando um método mais interativo de ensinar e aprender. No currículo, além de oferecer a matemática tradicional, o colégio também dispõe da matéria Pensamento Matemático, que utiliza uma sala específica para essa finalidade. Seguindo a mesma filosofia de trabalho, o Bertoni buscou uma qualificação internacional para seu programa e certificou escola e professores pela Lego Education e Google for Education.

A Sala de Inovação foi implantada em parceria com essas empresas. Nessa sala, ocorrem também as aulas de robótica e programação, que treinam alunos para competições nacionais e internacionais. “A robótica competitiva desenvolve capacidade de trabalho em grupo e resolução de problemas”, destaca o professor Fred. Hoje o Bertoni tem diversas equipes em Foz, Medianeira e Ciudad del Este. A equipe Strike, de Foz, conquistou o campeonato mundial FRC (FIRST Robotics Competition) em Houston, Texas. Desenvolvendo o empreendedorismo, a própria equipe conseguiu patrocínio para as duas viagens internacionais nas etapas da competição em Montreal, Canadá, e Houston, EUA.

Comunicação em vários idiomas

O terceiro e último pilar é a comunicação multilíngue. Desde 2012, os professores implantaram o projeto bilíngue, sendo o Bertoni o primeiro colégio do Paraná a assinar convênio com a High School Services (HSE), o que possibilitou aos alunos desde então a dupla titulação de ensino médio brasileiro e norte-americano. Atualmente, eles saem com diploma de ensino médio do Bertoni e de high school da Missouri University (Mizzou). A partir de 2020, os alunos de ensino fundamental também poderão ter diplomação nos EUA pela Mizzou.

O programa de High School do Bertoni ajudou a formar uma equipe que implantou a alfabetização bilíngue e o ensino multilíngue, com aplicação do currículo internacional do maternal ao ensino médio.

Os alunos de período integral têm contraturno completo em inglês, com aulas de Gramática, Oratória, Business, Matemática, Ciências Naturais e Humanas. Eles aprendem a fazer apresentações em inglês seguindo o modelo do TED Talks. Também estudam um tema significativo em sua história pessoal e apresentam palestras de 15 minutos para uma plateia atenta e orgulhosa de pais, professores, familiares e amigos. O ensino multilíngue é uma tendência mundial e considera o estudo de mais de três idiomas na escola, ampliando as abordagens relativas à diversidade e desenvolvendo a habilidade de se adaptar a novos desafios e mudanças culturais. Além da língua inglesa, a Escola Internacional do Bertoni tem aulas de Mandarim e Espanhol, sendo conveniada ao Instituto Cervantes para certificação DELE (Diploma de Español como Lengua Extranjera), aceito em diversos países.

Com esses três fundamentos bem definidos e aplicados, os professores acreditam que o modelo de educação do futuro pode ser aplicado agora no Brasil.

 

 

EndereçoAv. das Cataratas, 1118 – Vila Yolanda, Foz do Iguaçu – PR, 85853-000



Formada em Jornalismo (UDC) e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas (Unila), atualmente é jornalista e editora na Revista 100fronteiras.


Deixe um comentário