Cataratas do Iguaçu completa dois meses sem visitação

Principal atrativo turístico de Foz continua sem público com fechamento temporário do Parque Nacional do Iguaçu

Seria uma segunda-feira à tarde normal, se não fosse atípica por conta de uma pandemia. Eram 15 horas quando eu adentrava para fazer uma matéria de campo nas Cataratas do Iguaçu – elas que são uma das Sete Maravilhas da Natureza.

Queria ver com meus próprios olhos como estava a estiagem no local. A maior seca em décadas. No horário em que cheguei, a vazão estava em 339m³/s – conforme o monitoramento hidrológico da Copel. O volume normal é de 1,5 milhão de litros de água por segundo – ou pelo menos costumava ser.

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À primeira vista, meu sentimento foi de choque, pois não sabia o que esperar daquele reencontro. Afinal, ontem (18), completou dois meses desde que as estrondosas quedas d’água foram fechadas ao público. Desde então eu nunca mais as tinha visto.

Os quilômetros que separavam a rodovia e meu primeiro encontro com elas foram silenciosos. Não havia carros nem ônibus circulando. Não avistei também nenhum pedestre. Lembrei-me do guarda da portaria do Parque Nacional do Iguaçu falando: “Vão ter sorte se encontrar alguém”. Realmente.

Se não via automóveis, logo um bicho desconhecido me chamou a atenção, e percebi que se tratava de um veado-mateiro que pastava e fazia poses para o único carro que parava ali na BR-469, o da 100fronteiras. Eu nunca o tinha visto por ali, apesar de os guias sempre contarem.

Cheguei ao primeiro mirante, que fica localizado em frente ao Belmond Hotel das Cataratas, ponto em que muitas pessoas paravam tirar fotos e, em certos horários, era quase impossível conseguir uma sem alguém de fundo. Os únicos visitantes na segunda-feira ensolarada eram os quatis e os macacos que brincavam nas árvores pulando de galho em galho.

As Cataratas, que geralmente víamos esbanjar suas águas, demonstravam “tristeza”, ao meu ver, mas não era “choro”, pois quase não se via água naquele ponto. Era hora de seguir em frente na trilha, a caminho da “Garganta do Diabo”.

Um lugar vazio – não vimos nem mesmo um funcionário. Algo antes inimaginável estar no meio da tarde andando pelas trilhas somente eu e a equipe, com as máscaras no rosto e nossos instrumentos de trabalho nas mãos.

Chegamos ao ponto principal, aquele local do qual você que lê esta matéria deve lembrar. Aquele do qual não era possível passar sem se molhar e que no inverno as capas de chuvas eram imprescindíveis. Dessa vez, poucas gotas d’água caíram sobre mim.

 

Ali, vi um jacaré tomando sol em cima de uma pedra, em volta dele muitas moedas que os turistas – mesmo sendo proibido – jogam. Lugar que costumava estar inundado. Olhando em direção à “Garganta do Diabo”, dois arco-íris davam sua graça.

Espero que eles estejam lá para avisar que logo esse atrativo vai voltar a colorir os cartões-postais do mundo.

Fotos: Annie Grellmann e Jéssica Marquezini G / 100fronteiras

 

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