Não é segredo que o mundo vem passando por constantes transformações desde o início dos anos 90, quando chegou ao fim a Guerra Fria entre a União Soviética e os Estados Unidos, na época as duas maiores potências mundiais. Após o final dessa disputa, o mundo passou a se desenvolver de forma mais acelerada, principalmente com a chegada da internet. “A partir disso não há mais o inimigo claro como EUA e União Soviética, o que deixou mais difícil definir de que lado ficar”, explica o consultor, professor e palestrante André Barcaui. Foi naquela época também que surgiu a expressão VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity e Ambiguity – que significam volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade). Esse termo era usado pelos militares para definir as mudanças no cenário mundial. “A volatilidade está ligada à mudança do ambiente de liderança, o que passou a ter mais incertezas com relação aos impactos de uma organização; a complexidade significa os diversos cenários com milhões de situações, o que gera incertezas e dificulta a tomada de previsões sobre os acontecimentos; e, por fim, a ambiguidade é a confusão causada pela combinação de todos esses fatores”, destaca André.

Volatilidade

Trata-se do volume e da agilidade com que as mudanças ocorrem no cenário empresarial. Isso torna muito mais difícil a capacidade de as organizações acompanharem o mercado, sendo preciso agir rapidamente diante de tais circunstâncias.

Incerteza

A incerteza trata da incapacidade de prever resultados futuros, mesmo quando as análises são baseadas em dados presentes. A imprevisibilidade é o principal elemento que dificulta a aplicação de novas soluções.

Complexidade

Aqui, conectividade e interdependência são fatores que dificultam a capacidade de agir. A natureza interconectada e interdependente dificulta prever o resultado das decisões de negócios em ambientes complexos.

Ambiguidade

Por fim, a ambiguidade se resume à falta de clareza e concretude, o que prejudica a capacidade de encontrar a relação entre causa e efeito ao analisar determinado acontecimento. Ou seja: é a interpretação dúbia dos fatos que atrapalha a possibilidade de encontrar uma solução para determinado fenômeno.   Apesar de ter surgido no contexto militar, essa expressão representa muito bem o cenário empresarial, principalmente nos dias de hoje, em que as transformações acontecem num piscar de olhos. E com isso há um grande desafio para os gestores se manterem no mercado. “É interessante que as organizações se adaptem nesse sentido porque a tendência é que esse mundo VUCA fique cada vez mais volátil, e para isso é necessário que haja mais lideranças capazes de lidar com essas mudanças no cenário”, ressalta André. Isso porque, de acordo com ele, os líderes têm papel fundamental dentro de uma organização e são os responsáveis por buscar estratégias que visem à sobrevivência da empresa nesse contexto. Benefícios Apesar de ser um termo antigo, nem todas as empresas estão preparadas para lidar com essas mudanças definidas lá atrás pelos militares. No entanto, ter conhecimento dessas alterações de mercado se torna um grande benefício para quem quer prosperar. O professor informa que entre os principais benefícios está a condição de sobrevivência das organizações e das pessoas, porque o mundo está mais incerto, e as organizações estão mais líquidas. As transformações estão mais ágeis, e a velocidade com que as coisas mudam, alinhada à liquidez do que as pessoas consideram certo, também; então as organizações precisam adaptar-se a isso e, ao conseguirem fazê-lo, a chance de se manterem ativas no mercado é alta. “A liderança exerce papel fundamental nas organizações. É a partir dela que se desenvolvem ambientes favoráveis, confortáveis e criativos para acomodar o que o mundo VUCA manda.” Por isso, André buscou desenvolver seis pilares fundamentais para que os líderes consigam preparar-se para esse mercado. São eles: 1 – gestão do tempo; 2 – gestão da inteligência emocional; 3 – criatividade; 4 – capacidade de aprender; 5 – mentalidade ágil; 6 – capacidade de resiliência. Ele também evidencia a importância de acompanhar o desenvolvimento do mundo digital. “Os impactos da inteligência artificial são inevitáveis nas organizações e nas pessoas, e o maior impacto disso é na educação, pois sem preparação vamos ter um problema, porque hoje o caminho passa pela automação e o uso crescente de robôs, então as pessoas vão precisar saber disso para se manterem no mercado.” Então se você é um gestor ou está a fim de abrir um negócio, não deixe de acompanhar as constantes mudanças no cenário global que interferem diretamente no âmbito empresarial. Hoje só se mantém realmente ativo no mercado quem está preparado para lidar com as incertezas. “O mercado mudou, isso é um fato, então se as pessoas, empresas e organizações não se agilizarem para essa mudança vão ter um grande problema para se manterem ativos. Uma dica que dou é pensar como a tecnologia pode ser usada a nosso favor, ficar antenado às tendências e estudar, porque o mundo é VUCA sim, mas a organização também é no sentido da liquidez”, finaliza André.
Patrícia Buche

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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