Desde 2014 Claudia Grignet Fardoski Souto atua no dia a dia das penitenciárias de Foz do Iguaçu. Ela é concursada na área de agente penitenciário e inicialmente atuava na cadeia masculina de Foz. Lá percebeu que havia poucos espaços para o trabalho dela como mulher e decidiu ir atrás de novos desafios, então passou a atuar na cadeia feminina da cidade.

Ela explica que antes a cadeia feminina ficava junto com a cadeia pública Laudemir Neves, num complexo penitenciário. E na época o diretor era o mesmo e comandava tudo. Depois, por meio de um decreto, a cadeia se transformou em penitenciária e a ala feminina passou a ser independente e como exigência deveria ter uma diretora mulher. “Uma colega minha assumiu o cargo, mas ficou só por sete meses, aí me convidaram e eu aceitei o desafio. Estou como diretora desde 2019”, conta.

Quando assumiu, a situação da penitenciária era precária e o trabalho de Claudia foi humanizar os serviços e ofertar um espaço digno para as detentas e agentes penitenciárias. Junto à penitenciária feminina funciona a unidade de progressão, ou seja, as presas precisam estar trabalhando e/ou estudando. “Elas precisam estar 100% em atividade na tentativa de que elas não voltem a reincidir”, explica.

Penitenciária Feminina de Foz

Por isso, um antigo barracão da penitenciária foi revitalizado em um espaço de trabalho que hoje concentra vários canteiros para que elas possam trabalhar, além de salas de aula. São eles:

  • Confecção de enxoval hospitalar, atualmente voltado a confecção de máscaras de proteção. É comandado por uma empresa privada e as detentas recebem um salário mínimo, onde 80% do dinheiro é para elas e 20% vai para o fundo penitenciário que reverte a verba em melhorias do sistema.
  • Trabalho na cozinha, também ofertado por uma empresa privada, na qual as presas
  • fazem cafés e saladas que são distribuídas para as cinco penitenciárias que tem em Foz.
  • Canteiro de costura do Depen. Ali fazem todos os uniformes para presos de Foz e da região.
  • Produção de fraldas geriátricas e infantis, em parceria com a prefeitura. 
Penitenciária Feminina de Foz

Recentemente ficou pronta uma padaria e em maio começará os cursos de panificação de doces e salgados. E ainda haverá um salão de beleza que em breve funcionará para manicure, pedicure e cabelo.

“Todos esses trabalhos são remunerados e tem redução de pena, onde a cada três dias trabalhados reduz um dia da pena”.

Além disso, esses trabalhos são avaliados por meio de pedagogos, psicólogos, assistentes sociais e diretoria que avaliam a situação de cada mulher e orientam o melhor trabalho para elas. Das 203 presas que tem atualmente, 145 estão trabalhando e 120 estudando. Há 49 provisórias e o restante condenada, e as presas provisórias não podem trabalhar porque ainda não tem pena, mas podem estudar.

As visitas atualmente ocorrem por chamada de vídeo, por conta da pandemia, tanto para os familiares quanto advogados. E mensalmente as detentas recebem doações de kits de higiene pessoal. A penitenciária conta ainda com uma biblioteca e cada três dias trabalhados no local desconta um dia da pena.

Penitenciária Feminina de Foz

“Se você der atividades e mostrar alternativas para elas, trabalhando o resgate da autoestima e mostrando que elas têm valor, a chance de reinserção delas na sociedade, bem como a emancipação delas, é maior”. 

explica claudia
Claudia Souto - diretora da penitenciária feminina de Foz
Claudia é a atual diretora da Penitenciária Feminina de Foz. (Foto: Lilian Grellmann/100fronteiras)

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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