Matéria publicada originalmente na edição 113 da Revista 100fronteiras, fevereiro de 2015.

Ao chegar a Foz do Iguaçu pela BR-277, no bairro Três Lagoas, você já deve ter visto, à direita, o Bolão do Serginho, certo? E uma casa de madeira branca com vermelho que está ali há 47 anos. E é de lá a história da simpática Ilde Bortolini Benites.

Nascida em 1943, na cidade de Santa Helena, há cerca de 107 quilômetros de Foz do Iguaçu, dona Ilde pisou em terras iguaçuenses com 7 anos de idade. Os pais, João Bortolini e Inês Gallo Bortolini, que eram agricultores, vieram à cidade com a esperança de uma vida melhor e por aqui resolveram ficar. Instalaram-se próximo ao antigo Café Presidente e cultivaram milho e soja, além de outros alimentos.

Ilde conta que ia a pé para a escola, que ficava no local onde hoje é a Rodoviária Internacional de Foz do Iguaçu. E foi lá na escola que aos 12 anos ela conheceu seu amado, Antônio Benites, e casou-se com ele aos 18.

Ilde Bortolini Benites e seu marido

O fato de haver pessoas estrangeiras na cidade não causava estranhamento para dona Ilde, que já estava acostumada com o fato de Foz ser cosmopolita.

Depois de casados, eles continuaram a morar perto dos pais dela e ambos trabalhavam na roça. Dona Ilde lembra que tinham uma carroça que servia para o trabalho na lavoura e também como transporte para irem até o centro fazer as compras. Havia poucos carros e era comum ver charretes e carroças nas ruas da cidade.

“Avenida Brasil era Rua Botofogo, tinha só pedra”.

Relembra a simpática senhora ao acrescentar ainda que naquele tempo que chegou, Foz do Iguaçu tinha um cinema, um dentista, dois médicos e um hospital (Santa Casa)”.

A SANTA CASA MONSENHOR GUILHERME FOI FUNDADA EM 1938 E DURANTE MUITO TEMPO FOI O ÚNICO HOSPITAL DA CIDADE, VINDO A FECHAR EM 2006.

Mas com o tempo, ela viu a cidade crescer. Alguns anos após o casamento, ela e o esposo se mudaram para o bairro Três Lagoas, local em que permanecem até hoje. Nesse periodo, os quatro filhos do casal já haviam nascido. Eram eles: Célia Aparecida Benites; Maria Inês Benites; Neide Salete Benites; e Sérgio Benites.

Ilde se recorda de que quando chegou ao bairro Três Lagoas o progresso começava a aparecer.

“Quando vim morar aqui, estavam começando a aterrar pra fazer asfalto, porque não tinha, era tudo estrada de chão.”

Ela conta que sempre presenciou muitos acidentes, algo que antes não era comum, mas com a construção da BR passou a aumentar. A construção da Ponte Internacional da Amizade e da Usina de Itaipu também ajudaram a alavancar a cidade, que não parou mais de crescer.

No local, ela e o esposo, Antônio, abriram uma mercearia e também um bolão, que existe até hoje e, como citei lá no inicio, chama-se Bolão do Serginho.

“Naquele tempo dava bastante movimento”, explica Ilde quando lhe pergunto por que decidiram abrir um bolão. Tempos depois a mercearia fechou, mas o bar e o bolão ainda funcionam, tanto que um dos netos começou a jogar e chegou a se tornar campeão brasileiro no esporte.

Um fato curioso que Ilde contou é sobre um jipe que a familia tinha e que quase no fim dos anos 70 era o único do bairro. Além de ser um “sucesso”, servia para levar os vizinhos que precisavam ir até o centro. Durante muito tempo, o automóvel conduziu pessoas doentes para o hospital, principalmente as mulheres para terem bebé.

“Teve uma ocasião que não deu tempo e o bebê nasceu no jipe”, relembra.

COM ISSO, NÃO É À TOA QUE O CASAL TEM 65 AFILHADOS, POIS AS PESSOAS SE SENTIAM NA OBRIGAÇÃO DE TÊ-LOS PARA PADRINHOS.

Jeep da família Benites

Curiosidades

Na vida da senhora, que em todos esses anos de casada fez apenas uma mudança, há alguns fatos curiosos. Ela guarda até hoje uma caneca que ganhou no enxoval de casamento. Além disso, na Copa de 1970, ela comprou uma televisão em preto e branco que funcionava somente à noite com luz de gerador.

Como era uma novidade, a vizinhança ia até a casa dela para assistir, e eles aproveitavam para vender no armazém tubaínas e sardinha enlatada e também faziam uma deliciosa galinhada.

Com sua simpatia atende seus fregueses no bolão, os quais já se tornaram parte da família por frequentarem o local há muito tempo. Sempre de bom humor e de bem com a vida, dona Ilde diz que gosta da cidade e aqui pretende ficar sempre, mas ressalta que a cidade “precisa melhorar muito”.

  • 1943: nascimento de Ilde Bortolini Benites

  • 1950: chegada a Foz do Iguaçu

  • 1963: casamento de Ilde e Antônio Benites

  • 1964: nascimento da filha Célia Aparecida

  • 1966: nascimento da filha Maria Inês Benites

  • 1968: Nascimento da filha Neide Salete Benites

  • 1970: nascimento do filho Sérgio Benites

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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