Por: Annie Grellmann e Patrícia Buche

 Sabe por que a Avenida Pedro Basso em Foz do Iguaçu é considerada a mais bonita da cidade e uma das mais belas do país? Porque ela tem árvores. Uma via inteira ladeada por uma área verde apaixonante que encanta moradores e turistas. E como ela, há outros exemplos em Foz, como a Avenida JK e a Avenida Paraná.

Mas mesmo Foz sendo uma cidade que preza a natureza e valoriza o verde contrastante das ruas, existem locais que esqueceram completamente disso e transformaram a avenida em um local cinzento.

Atualmente, o comentário sobre a “Avenida dos Postes” está bastante intenso na cidade, por isso a redação da 100fronteiras buscou investigar esse caso para entender o porquê de tantos postes de energia elétrica no canteiro central da Avenida Felipe Wandscheer.

 “Arrancaram todas as árvores da avenida, tinha árvore dos dois lados, arrancaram todas para aumentar o asfalto. Só na frente do meu estabelecimento arrancaram duas.” – Anderson Batista, comerciante e morador da região

De acordo com o gerente de Projetos e Obras da Copel, Diogo Américo da Silva, a instalação desses postes no canteiro central se deu devido a uma série de estudos realizados junto à prefeitura, na qual, dos orçamentos apresentados pela Copel (canteiro central ou postes nas laterais), aquele se tornou o mais viável, apresentando um custo total de R$ 541.541,39 para a instalação de 106 postes em quase três quilômetros de avenida. “Na época [gestão anterior] foi uma preferência da prefeitura em fazer canteiro central, devido ao custo, pois ao invés de ter um poste haveria dois, ou seja, duplicaria o valor. Então eles optaram pelo canteiro central”, explica Diogo.

Ainda segundo ele, esse trabalho foi realizado em duas etapas e está dentro das normas técnicas da Copel, conforme as quais cada poste de luz deve ser colocado a cada 35 metros de vão médio (NTC 841001) e possuir um ramal de ligação (NTC 901100) com as residências/comércio de no máximo 30 metros. “Isso explica o porquê de tantos postes no canteiro central, pois, de acordo com as normas, esse é o espaço que um poste deve ter do outro – e estão em concordância com a Aneel”, ressalta Diogo.

Ele também informou que não é possível extrapolar a norma técnica do ramal de ligação, então é preciso distribuir corretamente a ligação dos clientes com os postes. Se fosse diminuído o número de postes, aumentaria o total de ramais para cada poste, sobrecarregando-o e aumentando muito o número de fios em um único poste. “Se considerar a questão estética, sem considerar a norma, eu sobrecarrego os postes. E como o canteiro central é estreito, tendo espaço apenas para o poste, a impressão é que tem mais postes. Se fosse mais largo o canteiro, não haveria essa impressão”, destaca.

Início da primeira etapa: 9/10/15

Fim da primeira etapa: 17/5/16 – 66 postes em cerca de 2 km

Início da segunda etapa

23/3/18

Previsão de fim

15/5/18 – 40 postes em cerca de 850 metros

Total: 106 postes

Outro fator que gera curiosidade e até mesmo revolta da população é o fato de haver postes muito próximos uns dos outros, a menos de 35 metros, como é a distância estipulada pela norma. Nesse caso, Diogo explica que, “sempre que houver uma derivação de rede, é necessário colocar um poste, por isso às vezes ocorre de ter dois postes bem próximos”.

Instalação elétrica subterrânea na Av. Felipe Wandscheer 

De acordo com a Secretaria de Obras da Prefeitura de Foz do Iguaçu, na época foi feito um estudo de instalação subterrânea, porém o valor apresentado por uma empresa terceirizada da Copel – pois a estatal não faz esse tipo de serviço – ficou em torno de R$ 9 milhões, e a prefeitura descartou a possibilidade pelo custo.

Transtorno na duplicação

As obras de duplicação da Avenida Felipe Wandscheer são um sonho antigo de moradores e comerciantes da região, isso porque a via serve de caminho alternativo para quem vai do centro à região do Morumbi e também é uma opção para evitar a República Argentina. Além disso, é o caminho para o bairro Cognópolis, condomínios residenciais e propriedades rurais. Outra ligação importante é pela Avenida Maria Bubiak, que conecta a Felipe Wandscheer com a Avenida das Cataratas, principal roteiro turístico da cidade.

Quando as obras iniciaram, em maio de 2015, com prazo de um ano para a conclusão, havia uma expectativa muito grande sobre o impacto que essa duplicação causaria, resultando em maior mobilidade e mais desenvolvimento da região. No entanto, no meio do caminho, a obra foi paralisada.

De acordo com Rui Haueinstein, diretor de Pavimentação da Prefeitura de Foz do Iguaçu, a obra foi paralisada por causa da Operação Pecúlio. Já conforme o Ministério Público Federal, não houve nenhuma ordem judicial para a interrupção dos trabalhos, eles simplesmente pararam.

Iniciadas em 2014, as investigações da Polícia Federal visavam a apurar a existência de uma organização criminosa na Prefeitura de Foz do Iguaçu. Isso porque havia indícios de ingerência de gestores do município em empresas contratadas para a prestação de serviços e para a realização de obras ao Executivo municipal.

TAC

Depois de mais de um ano parada, a obra foi retomada em 20 de dezembro de 2017, por conta do Termo de Ajustamento de Conduta firmado entre o Ministério Público Federal, a empreiteira responsável pelo serviço, Terraplanagem SR, e a Prefeitura de Foz do Iguaçu.

No TAC, a empreiteira se comprometeu a prestar em serviço à prefeitura o valor de R$ 458.557,98 por conta do atraso e transtorno social causado pela obra abandonada.

O prazo para a conclusão do trabalho, a partir do Termo de Ajustamento de Conduta, são 210 dias contados de 20 de dezembro. Se a empreiteira SR não terminar a obra no prazo, receberá multa e será declarada inidônea – a empresa ficará proibida de firmar novos contratos públicos, como participar de licitação.

Com a reprogramação da obra pelo TAC, o valor – que era inicialmente de R$ 12.197.120,99 – baixou para R$ 10.873.929,60.

FALA POPULAÇÃO

“Existe apenas um retorno que fica na Avenida Pôr do Sol, e isso dificulta a mobilidade do comércio, sendo bom apenas para quem passa pela avenida, já que o trânsito ficou mais ágil. Outro fator é com relação aos estacionamentos. Inicialmente era para ser em 45 graus, mas fizeram aquele reto, o que diminuiu a quantidade de vagas. Essa duplicação é boa porque a via ficará mais rápida e vai atrair mais pessoas para a região, mas por outro lado, pelo fato de não haver estacionamento, as pessoas vão passar reto aqui e procurar outro lugar, ou seja, será ruim para os comerciantes.” – Anderson Batista

“Os carros não conseguem fazer o retorno ali, porque não tem espaço, mas mesmo assim tem gente fazendo, o que se torna perigoso. Outra questão é a ciclovia, que ficou ridícula, a pessoa tem que pegar a bicicleta e pôr nas costas, porque tem partes que a ciclovia foi interrompida.” – Renato Moscon

Av. Felipe Wandscheer  e o problema com a ciclovia

Nas pistas feitas para circularem bicicletas, dos dois lados da via, algumas partes contam com superpostes de transmissão elétrica, obrigando os ciclistas a desviarem para fora da ciclovia.

Em conversa com a Secretaria de Obras, fomos informadas de que a ciclovia ainda está em fase de implementação, na qual será feita a pintura. Em relação ao desvio, ainda será estudado o que fazer. “Esses superpostes não tem como mexer. Nós queríamos tentar tirar os postes, mas não é possível”, diz o diretor de Pavimentação da PMFI.

O que nos resta agora é aguardar os próximos capítulos dessa “novela” e torcer para que tudo saia conforme o Termo de Ajustamento de Conduta, para que a população possa circular em paz até o dia 18 de julho de 2018.

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras e recentemente conquistou pela 100fronteiras o primeiro lugar no 1º Prêmio Faciap de Jornalismo.

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