Os artigos são o resultado de uma parceria com o Observatório Educador Ambiental Moema Viezzer, ligado ao Instituto Mercosul de Estudos Avançados da UNILA, e têm o objetivo de dar voz a especialistas e pesquisadores de forma a contribuir para o entendimento sobre o impacto do novo marco legal do saneamento básico.

O primeiro artigo publicado é assinado por Vicente Andreu, que foi presidente da Agência Nacional de Águas (ANA) de 2010 a 2018. A série é ilustrada pelo arquiteto e cartunista Claudius.

Leia o primeiro artigo em https://bit.ly/lemondediplomatique.

A parceria com o Le Monde Diplomatique é uma das primeiras ações da Coordenação de Comunicação do Observatório Ambiental Moema Viezzer, criada recentemente.

“Nosso objetivo é integrar pessoas e informações, criando espaços de divulgação sobre os temas socioambientais tratados pelo Observatório, pois não há educação ambiental de qualidade sem informação de qualidade. Comunicação e educação andam juntas, sempre”, explicou a professora Ana Silvia Fonseca, coordenadora de Comunicação do Observatório.

O editor da publicação, Luís Brasilino, destacou que a série vem reforçar o papel do Le Monde Diplomatique de levar análises estruturais e profundas sobre os principais assuntos que afetam a vida da população.

“Nosso objetivo é informar o público sobre os interesses em disputa e sobre o que esperar da gestão do saneamento daqui pra frente. E também formar uma audiência crítica que possa incidir politicamente, cada um à sua maneira, nos rumos do setor nos próximos anos ou décadas.”

Para a coordenadora do Observatório, Luciana Mello Ribeiro, como o jornal chega a um público distante territorialmente e, geralmente, bastante qualificado, os artigos poderão contribuir para a criação de novas redes de interessados na construção de sociedades sustentáveis.

“Temos a oportunidade dupla de conectar diversos especialistas, de acordo com a temática da série, trazendo mais cosmovisão para a problemática em questão; além de alcançar pessoas que podem fazer diferença a partir de sua atuação. São redes de conexões. Conexões com os leitores, conexões com os especialistas e suas instituições. Nem sabemos o que pode surgir daí ainda. Mas, a princípio, conectar pessoas de modo qualificado, nessa perspectiva de sociedades sustentáveis, é algo potente”, disse.

Esta será a primeira de uma série de parcerias entre o Le Monde Diplomatique e o Observatório. O grupo já está preparando um segundo especial de artigos sobre produções audiovisuais de temática socioambiental, com destaque para documentários. O assunto já foi abordado em eventos realizados em parceria com o Observatório Ambiental, como os projetos de extensão Cineclube Cinelatino e Doc Ambiente, além do 1º Ciclo Formativo Transição para Sociedades Sustentáveis.

Novo marco legal do saneamento básico

A Lei do Marco Regulatório do Saneamento Básico – aprovada em 24 de junho pelo Senado e sancionada em 15 de julho pela Presidência da República – estabelece prazos e estratégias para a gestão das águas, esgoto e destinação do lixo urbano no Brasil. Atualmente, 104 milhões de brasileiros não têm acesso à coleta de esgoto e cerca de 35 milhões não contam com água potável em casa. De acordo com o Instituto Água Sustentável, ocorrem, no país, 15 mil mortes e 350 mil internações por ano em decorrência da falta de saneamento básico.

Luciana Mello explica que o novo marco regulatório também coloca como serão definidos os preços dos serviços de saneamento e quem irá provê-los.

“Afeta diretamente, portanto, a saúde de todos os cidadãos e cidadãs, embora cada estrato social vá ser atingido de modo distinto. Há inúmeras consequências da existência e aplicação do marco legal. A gestão da água é algo extremamente complexo e delicado. A conversa sobre isso deveria estar em todas as casas. Se quisermos que o Brasil ingresse no século 21 em termos de direitos humanos básicos, incluindo a saúde, precisamos nos alfabetizar neste tema, sabendo que não há soluções simples. Por isso mesmo, o debate sobre o marco legal é inescapável”, salientou.

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