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Foto: 100fronteiras

Eram aproximadamente 19h45 da noite de segunda-feira, 22 de junho, quando o empresário e proprietário do Stop Snack, Khaldoun Barakat, foi surpreendido pelos assaltantes. “Estávamos iniciando o segundo turno, dois indivíduos pararam uma moto em frente ao restaurante, entraram com os capacetes fechados (mesmo após incessantes pedidos para remover os capacetes), muito afoitos e alterados e pediram pelo dinheiro do caixa. Antes mesmo de poder lhe entregar algo um deles começou a me agredir, me sobrando apenas a opção de me defender. Fui levando a briga para fora do estabelecimento afim de conseguir ajuda, assim que saímos, entre gritos de pedestres e buzinas de carros, subiram na moto e fugiram”, relata o comerciante, vítima dos assaltos em Foz.

O assalto foi bem no centro de Foz do Iguaçu e além dele, estava no local uma colaboradora do restaurante. O prejuízo foi de R$500, além de escoriações no rosto e lesões musculares em Khaldoun. “Foi roubado apenas o fundo de caixa, o qual metade caiu pelo caminho durante a briga. Os suspeitos foram identificados e detidos, no entanto não me sinto seguro, sinto que pode acontecer a qualquer momento e não existe absolutamente nenhuma chance de durante o próprio assalto entrarmos em contato com a polícia e a mesma atender de imediato”, lamenta.

Diante do ocorrido Khaldoun ressalta que o assalto ocorreu às 19h45, “então o início ou final da noite não determina as chances de assalto, mas sim a falta de medo que existe nos assaltantes, sabendo do lento tempo de reação da polícia em nosso município”.

Quem também sofreu uma tentativa de assalto, foi a secretária da Odontologia Hijazi, Micaela, que relata que a tentativa ocorreu logo cedo. “Foi por volta das 8h30 da manhã, quando eu estava abrindo a clínica. Um rapaz passou e voltou, entrou no estabelecimento e me pediu dinheiro para ajudar um amigo, eu falei que não tinha, mas havia dois celulares em cima do balcão, um meu e um da clínica, aí ele pegou meu celular e eu tomei da mão dele, pegou o da clínica e eu também tomei dele, aí falei pra ele que tinha um monte de câmera e que era pra ele sair, aí ele pegou e saiu, estava de bicicleta. Aí nisso tinha os meninos que fazem limpeza de rua e me questionaram por que eu não gritei pedindo ajuda”. 

Vídeo das câmeras de segurança mostra o momento exato em que o indivíduo entrou na clínica odontológica.

Número de assaltos em Foz 

De acordo com os dados colhidos pela Polícia Civil de Foz, de março a maio deste ano, os furtos a residências diminuíram e os roubos a estabelecimentos comerciais aumentaram, isso porque as pessoas estão ficando mais em casa por conta da pandemia.  

Delegada Adjunta da 6ª SDP, Araci Carmen Costa Vargas
Delegada Adjunta da 6ª SDP, Araci Carmen Costa Vargas. (Foto: Assessoria)

Mas a Delegada Adjunta da 6ª SDP, Araci Carmen Costa Vargas, explica que apesar desse cenário, o número de ocorrências está de 10 a 15% menor que no mesmo período do ano passado, principalmente nos crimes de furtos. “Isso se deve ao fato das pessoas estarem presentes nas residências”. 

Furto em Foz
Roubo em Foz

A Delegada destaca também que o serviço da Polícia Civil é repressivo, ou seja, trabalham na investigação de crimes que já ocorreram. “O serviço de prevenção de segurança pública é de atribuição da Polícia Militar. No entanto, nós da Civil trabalhamos com informações repassadas pela população, por isso é importante denunciar os assaltos que estão acontecendo na cidade. Nós relacionamos as informações recebidas com os casos que estão em nossos serviços ou que foram denunciados e a partir do cruzamento dessas informações, muitas vezes chegamos às autorias. Então a Polícia Civil trabalha com informação, a comunidade tem que contribuir pelo seu próprio interesse, repassando a informação. Nós temos nossas redes sociais, temos o 197 e os próprios telefones da delegacia (3576-1400) para que sejam feitas as denúncias”, ressalta. 

Como gerar mais segurança 

A Delegada também esclarece que “o roubo é um crime sazonal, ele depende muito do momento e da vulnerabilidade que a pessoa se expõe, é importante nesse trabalho de prevenção que a vítima tome alguns cuidados e não se deixe vulnerável. É necessário que ela crie obstáculos às ações dos autores tanto na rua quanto em casa. Além disso os equipamentos de segurança instalados levam a uma certa eficácia, câmeras de segurança, cerca elétrica, muros altos, enfim, tudo o que a população pode ter a seu dispor e que contribui muito para evitar o assalto”. 

segurança em residência
Sistema de cerca elétrica e alarme residencial.

Em Foz do Iguaçu o Diretor e fundador da Monital, Renato Souto, que está há mais de 27 anos trabalhando na área de segurança, apresenta algumas características bem particulares em Foz. “Primeiro por ser fronteira, naturalmente acaba agravando os índices de arrombamentos, se compararmos com Cascavel, por exemplo. Mesmo assim, estamos dentro de um ‘certo controle’, onde em nossa carteira de clientes, temos em média de três a quatro arrombamentos por semana, isto pensando em apenas uma empresa, porém na cidade de Foz, já temos mais de 15 empresas de monitoramento. Nossos números para este ano são de 64 arrombamentos desde o dia 1 de janeiro de 2020.”

Abaixo ele apresenta um gráfico com as estatísticas de dias e horas que mais ocorrem os arrombamentos.

arrombamentos em Foz Monital

Renato explica que os sistemas de segurança eletrônica ajudam a minimizar as perdas em consequências de arrombamentos, furto ou roubo. “Entenda que assalto é a definição de uma pessoa portando algum tipo de arma e ‘rendendo’ o cliente, ou seja, não se aplica para os sistemas de monitoramento de alarme e câmeras, pois os mesmos costumam ser muito rápidos e impede qualquer reação física a tempo de vir a impedir o delito.O que ajuda muito atualmente, é o sistema de alarme integrado com câmeras (vídeo monitoramento), pois assim, em caso de disparo de alarme, uma sirene toca e ao mesmo tempo, imagens das câmeras são transmitidas à central de monitoramento, em tempo real, confirmando se realmente existiu uma invasão no local”. 

A crise econômica e a onda de assaltos em Foz

Atualmente a cidade vem sofrendo com a crise econômica oriunda da pandemia de coronavírus que fechou estabelecimentos comerciais no intuito de frear a disseminação do vírus. Com isso, os comerciantes também se preocupam com o aumento da incidência de assaltos na cidade. “Acredito que essa crise vai agravar o número de casos, mas esperamos que quando reabrir o comércio a situação melhore”, relata Micaela. 

Já Renato destaca que “particularmente achei que a coisa iria ficar realmente feia, porém estamos mantendo os números parecidos com o ano passado, e isto confirma que não houve aumento considerável, pelo menos em nossa carteira de clientes”.

Sistema de vídeo monitoramento da Monital
Sistema de vídeo monitoramento da Monital.

Quem também não acredita que a crise possa influenciar nos assaltos é o comerciante Khaldoun. “Assaltar e furtar são práticas de pessoas que vivem neste meio. A situação econômica atual, que se demonstra cada dia mais grave, pode de algum modo gerar um desespero dentro de cada um de nós, mas aqueles que infelizmente perderem o emprego, tentarão criar uma renda de outro modo, por exemplo, vendendo produtos feitos em casa, oferecendo seus serviços em mídias socais. Posso estar sendo ingênuo, mas este tipo de indivíduo (assaltante) já existe, a única diferença é que agora ele tem maior coragem de sair e praticar”. 

Mesmo assim, é importante ficar em alerta, pois como a Delegada ressaltou, qualquer situação em que a pessoa se encontre em vulnerabilidade pode ser um pretexto para o assaltante agir.

Patrícia Buche

Formada em Jornalismo na UDC e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas na Unila, atualmente é jornalista da 100fronteiras.

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