Nos primeiros anos da formação de Foz do Iguaçu a cidade era pouco habitada e quase nada desenvolvida. O comércio era forte do outro lado do rio Paraná, em Puerto Iguazú, na Argentina. Quem vivia em Foz em meados de 1920 tinha o costume de atravessar o rio Iguaçu de barco e ir até o país vizinho fazer compras, o que movimentava o comércio fluvial. E se a cidade de Puerto Iguazú era o centro de compras para as famílias iguaçuenses, no ano de 1924 se tornou também um refúgio para a proteção contra as tropas, lideradas pelos militares Luís Carlos Prestes e Miguel Costa, a famosa “Coluna Prestes”. Muitas famílias iguaçuenses ficaram por vários meses no outro lado da fronteira, sendo recebidos com muito carinho e atenção pelos nossos irmãos argentinos.

O objetivo da revolução era protestar contra o governo oligárquico, denunciar a corrupção política e lutar por reformas sociais no Brasil. E por ser um movimento que reuniu simpatizantes do país todo, não demorou muito para que a Coluna Prestes chegasse ao oeste paranaense.

Segundo publicou o historiador José Augusto Colodel, após deixar São Paulo a Coluna Prestes chegou ao Paraná com o objetivo capturar a cidade de Guaíra, sede da Companhia Mate Laranjeira, e, a partir dali, avançar em direção a Foz do Iguaçu. Como estratégia inicial, tomaram o Porto São José em 31 de agosto de 1924, tornando-se a primeira localidade paranaense a cair nas mãos das tropas revolucionárias.

Coluna Prestes.
Luiz Carlos Prestes. Comandante da Coluna Prestes. (Crédito: Arquivo/Jornal do Commercio)

Em Guaíra, oitenta soldados do governo, comandados por Dilermano de Assis, estavam aquartelados. Os rebeldes não só atacaram por terra, mas também pelo rio Paraná, o que lhes garantiu uma vantagem imediata. Antes do combate decisivo, por sorte, conseguiram aprisionar uma lancha da Mate Laranjeira, pilotada por um paraguaio. Ao interrogá-lo, o prisioneiro forneceu informações cruciais; revelou a existência de uma poderosa bomba (mina) posicionada no meio do rio, amarrada com arame e pronta para explodir ao menor contato. Além disso, entregou o código luminoso secreto usado exclusivamente pelas embarcações da empresa para entrarem livremente em Guaíra.

Com as informações preciosas em mãos, os rebeldes traçaram um plano estratégico para desativar a bomba e garantir a segurança do ataque. Com habilidade tática e surpresa, a Coluna Paulista avançou e tomou Guaíra, superando as defesas inimigas.

A vitória em Guaíra foi um marco significativo para a Coluna Prestes durante a Revolução Constitucionalista de 1924. A captura da cidade e a neutralização da bomba no rio Paraná impulsionaram o avanço dos revolucionários em direção a Foz do Iguaçu.

Após conquistar Guaíra, as tropas seguiram ao longo do rio Paraná, capturando Porto Mendes e Porto São Francisco em 15 de setembro, seguido por Porto Britânia no dia 19. Em seguida, uma parte das tropas foi encaminhada para a região de Catanduvas, enquanto uma pequena patrulha de dez homens, liderada por Juarez Távora, avançou rumo a Foz do Iguaçu pelo rio em um barco.

Com cuidado e precaução, a patrulha se aproximou da cidade de Foz do Iguaçu e, para a surpresa de Juarez, encontrou pouquíssimas pessoas pelo caminho. A exceção era um edifício de alvenaria onde havia um velório em andamento. Sem encontrar resistência, eles decidiram atracar a lancha e se aproximaram cautelosamente da cidade.

Para a alegria de Juarez, não havia sinal de resistência. A cidade estava praticamente deserta, isso porque o soldado Dilermano espalhou rumores em Foz de que grandes forças revolucionárias estavam destruindo tudo pelo caminho e atacando soldados e civis inocentes. A pequena população iguaçuense entrou em pânico e muitos fugiram para Puerto Iguazú, na Argentina, deixando para trás seus pertences, como automóveis, cavalos e carroças.

Coluna Prestes.
Integrantes da Coluna Prestes.

Na cidade do país vizinho, os iguaçuenses encontraram abrigo e segurança até que tudo fosse resolvido. No entanto, como a cidade estava vazia a Coluna Prestes não precisou atacar, nem disparar um único tiro, tomando Foz do Iguaçu e mantendo o controle do oeste paranaense por aproximadamente oito meses.

Apesar de não haver conflito armado, a cidade sofreu com a ocupação, pois durante esse período, o comércio fluvial pelo rio Paraná cessou, causando grandes transtornos às comunidades ribeirinhas. Os trabalhadores e capatazes também fugiram, temendo serem capturados pelos rebeldes.

A região ficou completamente isolada e intransitável por terra até o fim dos combates, em 29 de abril de 1925. A tomada de Foz do Iguaçu representou um marco significativo para a Coluna Prestes, consolidando seu controle sobre a região e demonstrando sua capacidade de mobilização em um amplo território brasileiro. E após o fim da revolução as famílias que estavam abrigadas em Puerto Iguazú puderam finalmente voltar para casa.