Ansiedade e os perigos para a sua saúde mental

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“Eu ficava brava e chorava muito por coisas pequenas. De uma hora pra outra, eu tinha crises de sentar no banheiro e chorar muito, sentia medo de tudo que estava à minha volta, começava a querer me machucar… Foi aí que busquei ajuda porque vi que algo não estava bem.”

 

Este é o relato da jornalista Talyta Carneiro Neris, de 27 anos, que recentemente foi diagnosticada com Síndrome de Burnout – ansiedade e estresse relacionados ao ambiente de trabalho. Assim como ela, milhões de pessoas em todo o Brasil sofrem de ansiedade, um estágio à frente da Síndrome do Pensamento Acelerado e que interfere no humor e qualidade de vida das pessoas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país mais ansioso do mundo, onde cerca de 9,3% da população apresenta transtorno de ansiedade, quase o triplo da média mundial (3,5%). Ainda conforme a OMS (2017), 264 milhões de pessoas sofrem do mal, 14,9% a mais do que dez anos atrás.

De acordo com a doutora em Psicologia pela USP Nazaré de Oliveira Almeida, que concedeu entrevista exclusiva para a Revista 100fronteiras, a ansiedade é uma emoção secundária, derivada do medo, na definição do especialista em neurociência cognitiva Paul Ekman, consultor do filme Divertida Mente. “Esta emoção tem uma função biológica de advertência ao organismo quanto a possíveis perigos; neste caso, na ausência de estímulos ansiogênicos externos. Isto significa que a pessoa que está ansiosa está também com medo, mas do que ela tem medo é algo distante e imaginário (interno). Já quando o medo é de algo real, isso evolui para pânico (medo muito intenso), o qual promove na maioria das vezes o congelamento/paralisação do organismo”, explica a especialista.

Desta forma, ansiedade, medo e pânico estão intimamente relacionados e se diferem apenas pela intensidade da emoção e pelo tipo de resposta a cada situação de perigo. E, apesar da gravidade da doença, infelizmente a ansiedade é considerada por muitos como “frescura” – tanto que, na maioria das vezes, é confundida com estresse, por isso a primeira reação das pessoas é dizer “fique calmo”. De acordo com o Dr. Augusto Cury, mentes estressadas desenvolvem doenças psicossomáticas como hipertensão, problemas intestinais, câncer, cefaleia e doenças autoimunes.

Diferença entre estresse e ansiedade

No livro Ansiedade 2 – autocontrole: como controlar o estresse e manter o equilíbrio, o psicoterapeuta e escritor Augusto Cury explica a diferença entre estresse e ansiedade. Segundo o especialista, “a ansiedade é um estado de tensão psíquico; o estresse é um estado de tensão cerebral. Um causa o outro, e vice-versa. Na ansiedade, o pensamento está, em muitos casos, acelerado ou agitado; no estresse, essa agitação mental se traduz em fadiga excessiva. Na ansiedade, existe baixo limiar para suportar frustrações, gerando irritabilidade. No estresse, essa irritabilidade pode se manifestar na forma de dores de cabeça ou musculares”.

No entanto, Nazaré destaca a importância de tratar essa questão com atenção. “Existe uma linha que demarca a distinção da ansiedade saudável e patológica, a qual se refere à disfuncionalidade na vida da pessoa. Para cruzar esta linha, os sintomas devem causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social ou ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo, ou seja, quando são exagerados, desproporcionais em relação ao estímulo ou diferentes dos normalmente experimentados na mesma faixa etária e interferem na qualidade de vida, conforto emocional ou desempenho da pessoa.”

Isso aconteceu com Talyta. Ela percebeu que a ansiedade estava prejudicando seu relacionamento com as pessoas e principalmente consigo mesma, então decidiu que era hora de buscar ajuda profissional. “Eu conversei primeiro com meu esposo. Ele falou para eu conversar com algum profissional. Busquei direto uma psicóloga para ver o que realmente era. Isso porque minha crise de ansiedade se deu por conta do trabalho. Eu trabalhava em um lugar que não estava mais me fazendo bem, em todos os sentidos, desde o convívio ao estresse diário. E essas crises consistiam em apenas falar sobre ir trabalhar. Começava a chorar e a querer me bater; batia minhas mãos nas paredes só em saber que teria que ir ao meu local de trabalho”, relata.

Ela foi diagnosticada com Síndrome de Burnout e resolveu sair do trabalho para cuidar da saúde. “Eu estava ficando doente, todo mês tinha alguma coisa, era sinusite, enxaqueca, ânsia de vômito e até as minhas pedras nos rins foram por conta da ansiedade. Com a terapia, as crises diminuíram, mas eu tive que continuar no tratamento para não levar as crises para outro trabalho. No entanto, eu ainda não consigo dormir muito bem. Para eu pegar no sono, eu preciso relaxar totalmente e, mesmo estando em um lugar melhor de trabalho, às vezes eu fico ansiosa demais e fico pensando demais no meu trabalho. Mas eu tento me acalmar para não ter outro surto. E a terapia me ajuda a relaxar”, explica Talyta.

A procura por tratamentos com psicólogos é uma das principais saídas para quem sofre de ansiedade. Além disso, a psicóloga Nazaré recomenda outra medida importante: a meditação. “Esta prática tem sido pesquisada principalmente pelas neurociências e, por meio de imagens cerebrais, pode-se verificar que seus benefícios se assemelham à prática de exercícios físicos, pois exercita a permanência da atenção em uma área do cérebro relacionada com a racionalidade e minimiza a sua dispersão como acontece no modo padrão de funcionamento do cérebro, típicos da distração e da ruminação, muito comuns nos transtornos de ansiedade e depressão”, ressalta a profissional.

Pequenas técnicas para você fazer em casa e controlar a ansiedade

Por: Rodrigo Cupelli (Manmohan Singh), professor de Kundalini Yoga

Respirações segmentadas

Os exercícios que “dividem” a respiração em partes, tanto na inalação quanto na exalação, são excelentes para induzir a mente a entrar em uma nova frequência. Cada segmento é como se fosse um “gole” de ar bem definido, nesse caso através das narinas. Puxamos um gole após o outro na inalação e empurramos cada segmento para fora na exalação, também pelas narinas. Ao colocar os segmentos de ar para dentro, vá expandido o umbigo à frente. Ao retirar os segmentos de ar para fora, vá empurrando o umbigo para trás em direção à coluna. Não é qualquer número de segmentos que funciona. Aqui seguem dois tipos:

  • Oito partes de inalação para oito partes de exalação: possui efeito calmante e de centramento.
  • Quatro partes de inalação para oito partes de exalação: possui efeito calmante, desbloqueador e de “soltar”, deixar ir.

Escolha um dos dois para praticar e veja qual deles é melhor para você. Para finalizar, inspire profundamente, suspenda a respiração com o ar dentro por cinco segundos, exale e relaxe. Em três minutos de prática já se tem um efeito. No começo, pode-se experimentar uma leve tontura, por conta do aumento da oxigenação cerebral. Esse efeito é secundário e não deve durar. Caso não se sinta apto ou confortável ao realizar o exercício, pare imediatamente.

Alerta às redes sociais

Uma pesquisa de opinião feita pela Royal Society for Public Health, na Inglaterra, com 1.479 jovens entre 14 e 24 anos mostrou o impacto das redes sociais sobre a saúde mental. “As redes sociais despertam o sentimento de insegurança, baixa autoestima e busca por perfeccionismo, gerando o transtorno da ansiedade.”

>> Instagram, Snapchat, Facebook e Twitter influenciam na ansiedade, depressão, falta de sono, imagem do corpo e bullying.

>> Apenas o YouTube foi avaliado como algo positivo para os jovens.

Fonte: Revista Superinteressante

Agora que você já sabe como identificar se sofre ou não de ansiedade, se tem alguns desses transtornos, fique atento ao menor sinal que aparecer. A população, de modo geral, está doente, e como já dito essa é a doença mal do século, portanto é preciso fazer alguma coisa. Então, ao perceber qualquer sintoma de exaltação, estresse ou ansiedade, procure um especialista. Não espere ser tarde demais. Lembre-se de que sua saúde é o que você tem de mais importante. É o que mantém as pessoas vivas.

“Quando você perceber que anda muito nervoso, estressado e com muita vontade de se machucar, de chorar, de só ficar deitado, de não querer sair, não querer nem ao menos tomar banho, procure alguém, falar com um profissional é ótimo, você vai ficar mais leve, acredite”, aconselha Talyta.

Algumas das principais doenças relacionadas a ansiedade são: 

TRANSTORNO DE ANSIEDADE SOCIAL

TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA

SÍNDROME DO PÂNICO

TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC)

SÍNDROME DE BURNOUT (ESTRESSE PROFISSIONAL)

SÍNDROME DO PENSAMENTO ACELERADO

SÍNDROME DO PADRÃO INALCANÇÁVEL DE BELEZA (PIB)

FOBIAS

 

 




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