Alfredo Andersen vai investir na formação de novos artistas

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Muito antes de começar um curso de Pintura para acompanhar a mãe logo após sua formatura em Direito na PUCPR, há 22 anos, Luiz Gustavo Vidal Pinto já tinha uma relação muito próxima com a arte: desde a infância, aventurava-se entre papéis e tintas.

Depois de mais de 20 anos na área, o advogado e artista visual de 47 anos ganhou a missão de cuidar da casa e do acervo do pai da pintura paranaense, Alfredo Andersen — Vidal é o novo diretor do Museu Casa Alfredo Andersen (MCAA) e do Centro Juvenil de Artes Plásticas (CJAP), órgãos do Governo do Paraná cruciais para a formação de novos artistas.

“Quando veio esse convite eu fiquei: ‘Meu Deus’. Andersen é o pai da pintura paranaense, tudo começou com ele. O significado e a qualidade da sua obra são maravilhosos. Ele tem uma história umbilical com a cultura paranaense, formou muitos discípulos. Por isso, a arte contemporânea jamais deve esquecer da história, e pode dialogar com ela”, falou Vidal em uma das salas do MCAA, o qual ele deseja tornar um “Mini Parque Lage” (parque histórico do Rio de Janeiro que abriga a tradicional Escola de Artes Visuais).

INÍCIO – Seu apreço pelo desenho veio inspirado em uma de suas avós, Dolores Gomes, a “vó Lola”, que ministrava aulas de porcelana e tinha contato com artistas como Juarez Machado, catarinense formado pela Escola de Música e Belas Artes do Paraná (EMBAP), cuja carreira se desenvolveu no Paraná e despontou para o mundo.

Imerso neste meio, o menino tinha mania de desenhar tudo e todos no Colégio Bom Jesus, onde estudou — ele parou na sala da diretoria ao desenhar um gafanhoto com a cara de um coleguinha que, incomodado com a troça, foi reclamar. “Fui para a sala com medo. Mas o diretor riu e disse para eu continuar desenhando. Só não os colegas. Foi uma atitude de incentivo. Se ele tivesse me reprimido, minha carreira poderia ter acabado ali”, recorda Vidal.

A maior parte de sua obra (hoje em acervos de museus, como o Museu Nacional e o Museu da República) trata, sobretudo, de temas como a mobilidade urbana e avanços tecnológicos e surgiu de forma autodidata (inclusive os trabalhos de arte urbana que iniciou mais recentemente). “Entrei no curso de Pintura para fazer companhia para a minha mãe, mas sou autodidata, já tinha facilidade. Mas foi assim que conheci muitos artistas”, conta ele, que, então com 24 anos, entrou na direção da Associação dos Artistas Plásticos do Paraná (Apap).

Além de pintar os quadros da diretoria, assumiu uma área até então de pouca atenção dentro da associação, como contratos, direitos autorais e de imagem. Assim, uniu Direito e Arte e abraçou um segmento com poucos especialistas na época. Na sequência, representou o Paraná em Brasília, no então Ministério da Cultura, para a elaboração de um plano nacional de artes visuais, e dirigiu a Comissão Especial de Cultura de Arte da OAB/PR. Trabalhou ainda com a curadoria de exposições e eventos, como a Bienal de Curitiba, e julgou prêmios como o Marcantonio Vilaça, da Funarte.

PLANOS – Para o Museu Casa Alfredo Andersen, restaurado em 2018 em um projeto com recursos de R$ 700 mil destinados pela Renault do Brasil por meio do programa Paraná Competitivo, Vidal pretende explorar o conceito de museu-casa. Sua proposta é mostrar a vida e obra do pintor não só por meio dos quadros — o acervo conta com 400 itens, a maior parte, pinturas. “Ele morava aqui e as pessoas se atraem por isso, têm curiosidade de saber dos objetos da época, o que ele tinha. Além disso, é bilíngue e conta com audiodescrição e acessibilidade. Queremos colocar o museu cada vez mais no mapa cultural da cidade”.

Fora isso, assim como no CJAP, Luiz Vidal quer ampliar o número de cursos: já há duas novas salas no espaço para novidades como curso de fotografia e mais professores para os cursos de Pintura e Cerâmica (a contratação dos docentes tem ajuda da Associação dos Amigos do Andersen e convênio com a Secretaria de Estado da Educação).

“A ideia é borbulhar isso na parte educacional”, diz. Também está nos planos firmar convênio com o Museu Oscar Niemeyer (MON), para que alunos visitem o museu gratuitamente, e maior foco em artistas paranaenses nas aulas do Centro Juvenil, que passará a atender crianças maiores de oito anos.

Outro projeto de Vidal é abrir licitação para a instalação de um café na edícula do prédio, atualmente sem um uso específico. “A intenção é que pessoas circulem mais aqui, que a gente faça eventos nos dias das exposições. Enfim, chamar a comunidade”.

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