Ale H Hijazi e a arquitetura clássica na Tríplice Fronteira

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Por: Patrícia Buche

Fotos: Armando Abdias

À primeira vista, a vila italiana aparece como se tivesse sido transferida das colinas da Toscana para o Paraná Country Club no Paraguai, revestindo o Rio Paraná, enquanto a fachada da rua é italiana pura, remetendo a uma conexão com Roma, onde as paredes são esculpidas em blocos de pedras importadas da Itália.

A qualidade clássica da casa é estabelecida com a fachada de um grande arco romano apoiado por incríveis colunas coríntias esculpidas em pedra. Ao entrar no saguão com um teto de altura dupla, começo a notar a riqueza da Villa Dana Bella, onde um medalhão de mármore e ônix me recebe. Quando eu olho para minha direita, uma incrível torre de escada – toda em mármore marrom exótico e com um corrimão de ferro forjado à mão esculpido na Polônia – surge fluindo em espiral. Já o teto de domo aumenta a sensação de estar no Velho Mundo. Isso tudo só ao entrar pela porta.

Mais adiante, enquanto o arquiteto Ale H Hijazi me recebe na residência para uma entrevista, as linhas arqueadas de mármore na galeria principal e ao longo do caminho me levam às incríveis estátuas das quatro estações produzidas em mármore ônix. Além disso, uma série de colunas coríntias de mármore enquadra a entrada da sala principal e da sala de jantar formal. Parece que eu estou em um museu na Itália.

Sentada na grande sala da família, sobre os enormes sofás de couro acolchoados azuis, desenhados pelo próprio arquiteto, eu olho para as paredes e vejo dois grandes mosaicos de arte. Eu estou tão impressionada com tamanha beleza do espaço que não me contenho e pergunto ao profissional de onde surgiu todo esse talento. Ele então, com toda a sua simplicidade e cordialidade, responde: “Meu primeiro contato com projetos e construção foi com meu pai, que vem construindo desde 1980. Ele tem sido minha inspiração em cada passo que eu dei desde cedo. Aos 11 anos, meu pai me enviou para estudar nos Estados Unidos. Lá eu estudei o ensino médio e comecei meu bacharelado na Universidade de Miami, onde fiz um ano de engenheira civil, porque meu pai me incentivou. Mas eu sempre passei pela arte, criando e projetando. Um ano depois, mudei para arquitetura. Durante esses cinco anos meu amor pela arquitetura foi muito sólido. Eu me formei bacharel em arquitetura e, em seguida, mudei-me para fazer o meu mestrado em urbanismo e finalmente fui para Roma, na Itália, para meu doutorado em arquitetura clássica. Durante esse período, tive excelentes professores, como Robert A M Stern, Michael Graves, Leon Krier, Vincent Scully e outros. Eu tive a oportunidade de trabalhar com esses arquitetos talentosos e estudar o Velho Mundo, o que me deu a combinação certa de habilidades, uma noção de tempo e lugar, a educação, bem como o compromisso de fornecer soluções inventivas”, conta.

Em 2002, Ale H Hijazi iniciou sua empresa de arquitetura trabalhando em vários projetos famosos e surpreendentes nos Estados Unidos, Canadá, Caribe, América do Sul, Itália, Líbano e outros locais. Ao longo dos anos, a empresa cresceu com outros seis arquitetos, engenheiro e designer de interiores. Ele construiu muitos prédios e centros comerciais, edifícios residenciais e, principalmente, residências de luxo que lhe deram o nome que carrega hoje.

Mas faz quase oito anos que o arquiteto voltou para a Tríplice Fronteira com a oportunidade de desenhar e construir dois shoppings para o pai (Shopping Hijazi e Shopping City Mall, em Salto del Guairá). No primeiro ano em que estava de volta à região, o pai de Ale ficou doente, o que fez o profissional replanejar toda a sua vida para administrar os bens da família. Aqui na região, ele sentiu a falta da arquitetura luxuosa e clássica e ousou aplicar o trabalho de excelência que há anos já realiza em Miami. Abriu um escritório em Ciudad del Este, no Paraguai, e mais: construiu a Villa Dana Bella para servir de inspiração aos futuros clientes. “O Brasil e Paraguai têm muito potencial para esse tipo de projeto, há muitas pessoas que desejam e podem ter uma residência assim, só faltava um profissional especializado na área para mostrar que é possível construir uma casa de alto padrão mantendo a originalidade da arquitetura clássica. Eu realizo uma arquitetura diferenciada de tudo o que tem aqui, com projetos grandiosos e de luxo”, explica o arquiteto.

A arquitetura dele cria residências e renovações distintas com respeito pelas formas tradicionais e imagens históricas adaptadas à vida moderna. “Nosso estilo de assinatura é baseado em influências tradicionais e regionais, simplificadas para refletir detalhes autênticos, proporções e um sofisticado senso de lugar para o século 21”, destaca. Por isso o arquiteto oferece um alto nível de serviço personalizado e atenção meticulosa aos detalhes, combinada com uma profunda compreensão dos estilos de construções regionais.

Também é dada uma atenção especial às esperanças e aspirações dos clientes, para entender suas necessidades e ajudá-los a definir um programa de design específico. “O processo é sempre um esforço íntimo e intenso, garantindo que o design resultante seja um ajuste perfeito. Nós supervisionamos cada estágio de cada projeto, desde representações de design até a construção, sistemas de engenharia e arquitetura de interiores, e planos diretores para terrenos e jardins. Nossa participação está ativa no processo de construção, e nossa colaboração com os melhores designers de interiores e paisagistas cria uma casa distinta e perfeita que atende todas às solicitações e especificações exatas de nossos clientes”, ressalta.

Após uma longa conversa, o criador da Villa Dana Bella me convida para conhecer o jardim e a fachada traseira da residência; passamos pela cozinha, onde detalhes requintados se destacam, como a ilha central com seu mármore francês cinza e vermelho importado, algo que nunca havia visto. A madeira maciça artesanal originária do Canadá e importada para o Paraguai completa o espaço; adjacente a ela uma mesa de mármore vermelho caracteriza a sala de café da manhã.  Ao sairmos para o terraço, continuamos a ver a arcada romana de pedra repetindo-se com suas colunas coríntias sustentando a residência. À medida que pegamos uma escada em espiral livre com belos ferros artesanais, começo a ver o jardim italiano cercado por ciprestes altos que o arquiteto também importou para dar a sensação de que você realmente está na Toscana. Chegamos à piscina e lá fico impressionada com o extraordinário trabalho de arte em mosaico. A atmosfera perfeita começa a ser sentida e, quando olho para a fachada traseira da casa, percebo que a parte de trás é ainda mais majestosa do que a frente. Então paro e pergunto ao arquiteto Ale H Hijazi: “Por que a importância dada mais às costas do que à frente”? E ele diz: “Eu gosto de projetar uma residência sempre oferecendo aos proprietários o prazer de aproveitar ao máximo uma casa, e não ao público”, explica.  É realmente incrível! A fachada traseira atinge a máxima perfeição em função de cálculos matemáticos e geométricos, regras, proporções e perspectivas. Essa parte da casa demonstra que é uma residência de três andares, e não dois como dá a impressão na parte da frente. Fico ainda mais impressionada com o terraço de arcada de pedra e a série de colunas coríntias em todos os três níveis, onde de pé em ambos os níveis você pode apreciar as incríveis vistas do Rio Paraná e seu verde que o rodeia, compondo perfeitamente o cenário surreal daquele lugar.   Aproveito para perguntar se ele também cria residências modernas. “Absolutamente sim, eu sempre volto para a história e olho para os grandes arquitetos americanos como Delano & Aldrich, David Adler, John Russell, James Gamble Rogers e outros. Eles eram designers que se moviam facilmente de estilo em estilo, com pouca preocupação se estavam projetando uma casa no estilo do Renascimento Italiano ou da Inglaterra Tudor. Quando desenho, o que importa para mim são a escala, a proporção, a luz, o material e a planta, ou seja, o espaço e como nos movemos, pois todos os fundamentos da arquitetura sempre significaram mais do que estilo”, frisa.

O clássico na Tríplice Fronteira

A chegada do arquiteto à região despertou o interesse de várias pessoas pela arquitetura clássica. “Eu tive a grande oportunidade de projetar para o Dr. Gustavo Capobianco. Ele queria uma casa estilo castelo francês em Foz do Iguaçu, então eu fui em frente e fiz um esboço para ele do que seria o projeto. Aceitei o trabalho de projetar para ele o French Chateau Villa, que levou um ano para ser projetado e que atualmente está em fase de construção. Acredito que esta será uma das maiores e mais belas casas do Brasil. Outro projeto que também já foi concluído é a Villa Chamseddine, uma moradia neoclássica com uma linha mais limpa e moderna, que será construída em três lotes de frente para o campo de golfe do Paraná Country Club, em CDE”, destaca.

E é por isso que cada projeto desenhado por Ale H Hijazi se torna fascinante aos olhos, pois é de uma riqueza de detalhes indescritível. “Eu faço o desenho do projeto independente se o cliente vai aprovar ou não, porque tenho prazer em desenhar a ideia e o sonho do cliente. Sempre começo o desenho com um rascunho à mão e depois parto para o computador. Todos os projetos e móveis. Além disso, o diferencial do meu escritório é que eu e meus parceiros entregamos um projeto de 150 a 200 folhas, porque especificamos bem os detalhes. Quem fecha conosco fecha em três fases: desenho, construção e acabamento. Valorizo minha equipe de trabalho e continuo a dar as boas-vindas à brilhante contribuição de meus membros, aprender com meus clientes e ouvir as novas ideias dos jovens com interesse. Sabemos que o processo de design está mudando continuamente e sempre seremos estudantes de nosso próprio ofício. É isso que garante a evolução da minha empresa. Estamos sempre crescendo e seguindo em frente. Continuamos tão empolgados quanto sempre fomos para receber clientes em nosso escritório, onde eles compartilharão seus sonhos e nos darão a oportunidade de trazer suas visões à vida e continuar a cumprir suas expectativas, porque acima de tudo eu faço arquitetura por amor”, finaliza.

 

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Formada em Jornalismo (UDC) e pós-graduada em Relações Internacionais Contemporâneas (Unila), atualmente é jornalista e editora na Revista 100fronteiras.


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