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A Tríplice Fronteira é um polo universitário?

No final da década de 1990, alguns empresários em Foz do Iguaçu imaginaram que a cidade poderia vir a ser um polo universitário. Passadas duas décadas, a atração de um público universitário deixou de ser apenas uma ideia. Mas a transição para a realidade não foi bem como alguns naquele momento esperavam: a perspectiva foi ampliada com a chegada da Unila e com as ofertas de Medicina no lado paraguaio da fronteira.

Na lógica do discurso inicial de polo universitário, a oferta de vagas no ensino superior seria suprida pela iniciativa privada. De fato e em curto prazo tal oferta teve rápida ascensão explicada pela então demanda reprimida. Em médio prazo, a demanda normal de jovens em idade de ingresso na faculdade mostrou alguns sinais de limites. Em que pese o fato de que houve a necessidade de ajustes, essa parcela do mercado continuou existindo, e as instituições têm se esforçado para atendê-la de forma qualificada (das várias faculdades privadas existentes no início dos anos 2000, duas lograram obter o título de Centro Universitário).

O que não estava previsto na imagem inicial de polo universitário era a chegada de uma universidade federal e a oferta de vagas de Medicina no Paraguai. Com seus 29 cursos de graduação, incluindo Medicina, a Unila possibilitou não somente a formação em nível de graduação e pós-graduação, mas também atrai pessoas para a região que passam a integrar o circuito universitário privado não apenas como alunos.

Os programas de mestrado e doutorado possibilitam a qualificação de quadros docentes para atuar no ensino superior, e as parcerias no campo da pesquisa e da extensão têm algum potencial para qualificar a relação universidade-comunidade de modo geral. Já as vagas de Medicina no Paraguai atraíram mais de 15 mil estudantes que circulam pela região, muitos dos quais residem (e efetivam gastos de moradia, alimentação, transporte…) em Foz do Iguaçu.

Em síntese, o imaginado polo educacional se tornou realidade. Na verdade, foi potencializado com a universidade federal e as vagas de Medicina no Paraguai. No cotidiano, tornou-se impossível não encontrar estudantes ou não ouvir sotaques dos mais diversos no supermercado da esquina ou em qualquer escola infantil. O correto é dizer que a Tríplice Fronteira é também um polo educacional. O início de 2020 é particularmente importante para refletir sobre o assunto. Em 12 de janeiro, a Unila completou dez anos de sua criação. Em 19 de fevereiro, completar-se-ão 20 anos do primeiro vestibular da UDC. E a UniAmérica iniciou o ano com o Prêmio Sinepe/PR de Práticas Inovadoras em Educação, edição 2019.

Micael Alvino da Silva

Doutor pela Universidade de São Paulo (USP) e professor de História das Relações Internacionais na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Coordenador do Grupo de Pesquisa Tríplice Fronteira (CNPq) – https://triplicef.org/

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