A Mata Atlântica pede sua atenção

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Texto e fotos: Divulgação Parque das Aves 

O segundo bioma mais biodiverso do planeta necessita do seu olhar para se manter vivo. Conheça os riscos que a Mata Atlântica corre e o trabalho do Parque das Aves para salvar 120 espécies e subespécies de aves em risco de extinção

Você já se perguntou por que a Mata Atlântica é importante? O bioma da Mata Atlântica está presente em 17 estados brasileiros e cobre, em sua extensão original, algo em torno de 13% do território nacional.

Nesse mesmo espaço coabitam aproximadamente 140 milhões de pessoas, que dependem das múltiplas funções ambientais da Mata Atlântica. Infelizmente, as marcas da presença humana na paisagem florestal fizeram com que restassem apenas 8% da mata original.

A Mata Atlântica é o segundo bioma com maior número de espécies do planeta – o primeiro é a Amazônia –, porém o mais ameaçado do Brasil: mais de 91,5% da Mata Atlântica original já foi devastada. E nos dois últimos anos, a desflorestação cresceu 60%, a maior taxa em dez anos.

Devido ao desmatamento e a outros problemas (como caça e tráfico de animais), muitas espécies desse bioma estão à beira da extinção. Atualmente, 120 espécies e subespécies de aves da Mata Atlântica estão listadas como oficialmente ameaçadas. E esse número não para de crescer.

Por exemplo, o mutum-de-alagoas (Pauxi mitu), que vivia em uma pequena área de Mata Atlântica no Nordeste do Brasil, está extinto na natureza desde a década de 1970. Tudo por conta da caça e do desflorestamento.

O mundo perde muito com isso. Vivem nesse bioma cerca de 20 mil espécies de plantas e duas mil espécies de animais, além de insetos e aracnídeos. São aproximadamente 891 espécies de aves, 370 de anfíbios, 298 de mamíferos, 200 de répteis e 350 de peixes.

A população que vive na maioria das cidades de Mata Atlântica somente possui água, a um custo relativamente modesto, devido aos remanescentes florestais. A floresta também mantém a integridade e fertilidade dos solos, protege os corpos d’água e regulariza o fluxo hídrico para as plantações, além de fornecer os polinizadores de que os agricultores precisam para a reprodução de suas lavouras.

Uma das crises mais graves de extinção de espécies no Brasil

Entre tantos animais que vivem na Mata Atlântica, as aves são bons exemplos para compreender a riqueza da biodiversidade. As 891 espécies que vivem nesse ecossistema representam 45% de todas as espécies de aves que ocorrem no Brasil, sendo que 231 não ocorrem em mais nenhum lugar no mundo.

Devido principalmente ao desmatamento, à caça e ao tráfico, 120 espécies e subespécies de aves nativas da Mata Atlântica hoje encontram-se ameaçadas de extinção. Uma das crises mais graves de extinção de espécies no Brasil.

A jacutinga (Aburria jacutinga) é uma delas. Sua população foi drasticamente reduzida por conta da caça e da degradação do habitat com a extração ilegal do palmito-juçara. O periquito-cara-suja (Pyrrhura griseipectus), considerado o periquito mais ameaçado de extinção das Américas, sofre também com o tráfico e o desmatamento. E existem muitas outras histórias como essas.

Experiência e conscientização

Quem já visitou o Parque das Aves, situado em meio ao maior remanescente de Mata Atlântica do interior do Brasil, teve a chance de ficar entre espécies de aves nativas desse bioma, algumas em risco de extinção, como o macuco, a jacutinga e o papagaio-de-peito-roxo, mais da metade delas resgatada do tráfico ilegal e de maus-tratos.

O turismo de experiência que o Parque das Aves oferece, com sua imersão na Mata Atlântica e proximidade com as aves, é uma ferramenta de transformação, pois conscientiza o visitante e fomenta o desenvolvimento sustentável e a educação ambiental. E todo esse potencial ganhou novos rumos em 2017, quando o Parque das Aves se tornou Centro de Conservação Integrada de Espécies de Mata Atlântica, a primeira instituição no mundo a focar em espécies de apenas um bioma.

Tudo começou quando a Dra. Carmel Croukamp notou que a pomba pararu-espelho (Claravis geoffroyi) se tornou extinta na região. Diante da descoberta estarrecedora, ela decidiu que deveria focar esforços em aves de Mata Atlântica. “As espécies de aves em perigo de extinção na Mata Atlântica precisam contar com os aliados mais fortes possíveis, dedicados a impedir que se percam para sempre”, explica.

Essa nova vocação dada por Croukamp fez com que, em menos de dois anos, o número de espécies de Mata Atlântica habitando o Parque das Aves pulasse de 70% para 90%. “Estamos focando todos os nossos esforços nas espécies desse bioma, investindo recursos e fazendo parcerias pelo Brasil afora. Projetos incríveis já realizam um trabalho sério para salvar muitas das 120 espécies e subespécies em risco de extinção na Mata Atlântica, mas outras, menos carismáticas, não possuem programas que trabalhem com sua conservação. E nosso sonho é oferecer a todas elas uma possibilidade de futuro”, comenta Carmel.

Um novo caminho a seguir

A necessidade de defender a Mata Atlântica e compartilhar com seus mais de 800 mil visitantes por ano, incluindo mais de 30 mil alunos, é urgente.

Por isso, o Parque das Aves está mudando sua marca, mais alinhada com as principais mensagens de conservação e de educação ambiental. O objetivo é criar uma imagem na memória afetiva das pessoas afinada com as principais mensagens de uma causa comum da Mata Atlântica, transformando a forma como se relacionam com os clientes e colaboradores, sem perder a essência, que é o cuidado com as aves que chegam até nós. Esse é o legado que o parque quer deixar.

“Ao longo dos últimos 18 meses, criamos um núcleo para conservação, com projetos próprios e parcerias que hoje ocorrem na maioria dos estados de Mata Atlântica. E agora a experiência do visitante no Parque das Aves vai proporcionar uma vivência com o nosso trabalho de conservação de aves de Mata Atlântica ainda mais completa, mantendo o mesmo encantamento de sempre”, finaliza Carmel.

A resposta à pergunta do começo desta reportagem é retórica e traz outras perguntas: se não criarmos uma conexão que se traduza em ações em prol da conservação da Mata Atlântica, porque somos nós que estamos inseridos e vivemos nesse habitat, quem o fará?

Desmatamento e aves da Mata Atlântica

A Mata Atlântica é um bioma com um número bastante alto de espécies que vivem em áreas geográficas específicas. Isso é chamado de endemismo.

Quando essas florestas são desmatadas, mesmo em pequenas áreas, essas espécies perdem a sua chance de sobreviver e se tornam extintas.

São aproximadamente de 891 espécies de aves na Mata Atlântica, sendo que 120 espécies e subespécies estão listadas como oficialmente ameaçadas.

A Mata Atlântica concentra o maior número de espécies nativas entre os biomas brasileiros. Existem 231 espécies de aves endêmicas na Mata Atlântica.

E como dezenas delas ocorrem em áreas muito restritas, isso as torna especialmente vulneráveis, pois um evento acidental, como um incêndio, uma doença, uma inundação ou tempestade, ou a invasão de uma espécie exótica, pode subitamente acabar com uma espécie.

 

O que a Mata Atlântica representa hoje:

Hoje restam apenas 8% de mata original
Plantas – espécies 20 mil
Animais 2 mil
Aves – espécies 891
Aves em risco de extinção 120
Anfíbios – espécies 370
Mamíferos – espécies 298
Répteis – espécies 200
Peixes – espécies 350

 

 

 

A Mata Atlântica está presente em 17 estados do Brasil, onde habitam aproximadamente 140 milhões de pessoas. O Paraná foi o estado que mais contribuiu para a restauração da Mata Atlântica no Brasil, com 75.612 hectares

 

 

 




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