#VENETSATWORK

São dois leões alados que guardam a intrigante esquina envidraçada que nos faz torcer o pescoço ao passar pela movimentada Avenida Felipe Wandscheer, em Foz. Cores fortes combinam-se e vibram por meio de velhas fotografias, tecidos surrados expostos em varais, quadros e imagens que evidenciam história, envolvimento, propósito, bom gosto e muita originalidade.

Criadora e proprietária da marca de restaurantes La Mafia Trattoria (Foz, Cascavel, Toledo, Guarapuava e Curitiba), Eliane Balena conta como surgiu o seu pastifício:

“Fornecíamos massas frescas (cruas), exclusivamente para nossos restaurantes, e, com a chegada da pandemia, estender nosso produto ao consumidor final foi uma saída para aumentar as nossas vendas, as quais oscilavam consideravelmente diante dos constantes decretos e incertezas, os mesmos que ainda persistem, não só sobre o nosso ramo, mas sobre todo o comércio”.

Em novembro de 2020, Eliane inaugurou seu pastifício, ou loja, como ela descreve: “Somos uma loja de massas frescas, com fabricação própria, focados em delivery e take away, com um espaço para degustação de vinhos, queijos, produtos de charcutaria e outras entradas que podem ser consumidos também no local”.

A praticidade com a qual resume seu cardápio nada tem a ver com a emoção expressada ao falar da sua temática – a imigração vêneto-italiana no Rio Grande do Sul –, quando enche os olhos ao relembrar seus antepassados: “A bravura da nossa gente deve servir de exemplo, otimismo e inspiração! Conhecer e nos aprofundar em nossas origens nos traz segurança e autenticidade. Temos uma história fantástica que passa bem longe do clichê ‘pizza e tarantella’ ou do injusto e incompleto termo ‘descendente de italiano’, o qual nos foi designado. Nossa cultura tem identidade e língua próprias, e elas não são italianas”.

Eliane Balena
Eliane Balena.

A sereníssima República de Veneza

Fundação: 697 dC (Idade Média)

Dissolução: 1797 (Idade Contemporânea)

Exerceu a supremacia política, militar e artística no Adriático e em todo o Mediterrâneo, sendo o principal porto marítimo e centro das trocas econômicas. De 1300 a 1500, Veneza foi a terceira cidade mais populosa da Europa e, até 1700, uma das cinco principais.

A queda

Em 12 de maio de 1797, Napoleão invade a República Vêneta, os franceses saqueiam tudo, espalhando o caos e a miséria. A França e a Áustria fazem um tratado, pelo qual os territórios da República de Veneza são entregues à Áustria.

Em 1866, a Itália invade e anexa o Vêneto após um plebiscito fraudulento.

Os primeiros anos de Itália e a consequente imigração

  • 1867 – No primeiro ano após o Vêneto pertencer à Itália, os impostos duplicaram.
  • 1869 – No terceiro ano após o Vêneto pertencer à Itália, com o famoso imposto sobre a farinha, os impostos triplicaram.
  • 1875 – Nove anos após o Vêneto pertencer à Itália, inicia-se a imigração vêneta.
  • 1875-1900 – Em 25 anos de imigração, imigraram 1.385.000 vênetos, mais de 55% da população do ano de 1866. O maior êxodo de um povo na história moderna.

“A imigração foi mais que um fenômeno social para o governo italiano, foi uma fonte econômica extremamente lucrativa.” – Constantino Ianni (Homens sem Paz)

O idioma vêneto no Brasil e no mundo

A grafia unitária oficial da língua vêneta é reconhecida como língua pela Lei nº 8/2007 da região do Vêneto e pela ISO 639-3 VEC da Unesco, figurando entre as línguas vivas do catálogo Ethnologue. Atualmente, a língua vêneta é falada por sete milhões de pessoas espalhadas pelo Brasil (regiões Sul e Sudeste) e por diversos países do mundo: Itália (Vêneto, Sardenha, Trentino, Friul-Veneza Júlia), África do Sul, Croácia, Eslovênia, Argentina, Canadá, México, Venezuela, Uruguai, Austrália, Bélgica, Chile, França, Romênia e Chipre.

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