Contato

+55 (45) 3025-2829

Whatsapp

+55 (45) 9118-2401

Foz do Iguaçu

População exerce a cidadania pra mudar Foz

População exerce a cidadania pra mudar Foz
Patrícia Buche Patrícia Buche
19/02/2016 10:00hs

Foto: Leandro Costa

 

O ano de 2015 foi diferente para os moradores de Foz do Iguaçu. Com o término de algumas obras e início de outras, a população viu a cidade desenvolver-se. Além disso, a solidariedade iguaçuense ganhou destaque com a tragédia no bairro Porto Meira, após o temporal de 7 de setembro. Mas, acima de tudo, foi a união das pessoas, o envolvimento e a preocupação com o futuro que mais chamaram a atenção de quem vive aqui há muito tempo. Foi da união e do sonho de ver e ter uma cidade melhor que nasceram em 2015 os movimentos sociais organizados em Foz do Iguaçu.

 

“Movimento Pró-Conclusão da Trincheira”

 

A primeira ação foi pelo término das obras da trincheira na Avenida Paraná que haviam iniciado em 2013. “A ideia surgiu de um grupo de empresários que se reúnem todos os sábados para um almoço entre amigos. Nestes almoços, verificamos que por diversas vezes nos encontrávamos reclamando da obra que estava parada e que prejudicava enormemente o trânsito da cidade. Com isso nos surgiu a vontade de reunir as pessoas para protestar algo que é nosso por direito”, explica um dos organizadores do movimento, o arquiteto Leandro Costa.

 

A raiz dos protestos nasceu de uma reunião, mas logo ganhou forma, cor e adeptos nas redes sociais e na imprensa local. Foi criado um evento no Facebook que rapidamente atingiu mais de dez mil pessoas, que compartilhavam e comentavam sobre o movimento. A iniciativa também teve o apoio de empresas e de algumas entidades da cidade, que sentiram a necessidade de lutar por essa causa.

 

Após explicar o objetivo do movimento social apartidário e reunir um grande número de pessoas, a data para reivindicar de fato o fim das obras foi marcada.

 

“Realizamos dois manifestos sobre a trincheira, em janeiro e em fevereiro de 2015. No primeiro reunimos cerca de 200 pessoas e havíamos solicitado um retorno em 15 dias dos responsáveis pela obra, o que não aconteceu. Com isso agendamos o segundo manifesto sob a trincheira, com a promessa de fazer um manifesto a cada 15 dias enquanto não obtivéssemos resposta. Neste segundo manifesto reunimos aproximadamente 600 pessoas, o que foi o suficiente para obtermos um retorno do Governo do Estado, que anunciou a retomada da obra”, relembra Leandro.

Estratégias

O arquiteto explica ainda que o objetivo principal do movimento era manter o caráter pacífico e apartidário, de forma que a manifestação não se tornasse uma baderna. “Queríamos que todas as pessoas de bem pudessem se manifestar de forma pacífica, inteligente e clara. Queríamos que estivessem crianças, idosos, mulheres, para mostrar aos outros cidadãos que aquele movimento era uma reivindicação da sociedade de bem.”

Para isso foi solicitada a presença da Polícia Rodoviária Federal, Polícia Militar e Guarda Municipal. No dia da ação, os manifestantes fecharam a rodovia nas proximidades da trincheira para que assim o movimento ganhasse força e chegasse aos ouvidos dos responsáveis pela obra. E chegou. Segundo Leandro, logo após o primeiro manifesto, a Prefeitura de Foz, vereadores e alguns deputados entraram em contato com o governo federal e a concessionária que administrava as obras, para que o problema fosse solucionado – algo que precisou partir da população, caso contrário o tempo para o trabalho ser concluído seria ainda maior.

A manifestação deu resultado positivo, não só para a obra em si, que logo foi finalizada, como também para a própria comunidade, que foi surpreendida pela união e vontade do grupo de iguaçuenses que saíram da zona de conforto para protestar por algo que lhes é de direito. “Nós temos o costume de reclamar, porém, e infelizmente, não temos o costume de agir. Essa é a grande verdade! E enquanto formos assim, continuaremos reclamando, reclamando, reclamando.”

 

“Foz não precisa de mais vereadores”

 

Outra manifestação que marcou o ano de 2015 e que ocorreu há pouco tempo foi o movimento contra o aumento no número de cadeiras, de 15 para 19, na Câmara Municipal de Foz. Nesse caso, a indignação da população foi ainda maior, e o resultado surpreendeu até mesmo os organizadores do movimento, que não imaginavam que em pouco tempo conseguiriam reunir tantas pessoas para lutar por uma causa justa.

 

“Neste movimento, fomos pegos de surpresa pela Câmara de Vereadores, uma vez que este assunto já foi, por várias vezes, discutido com entidades e com a população, que sempre se mostrou contrária a este aumento, e também pelo fato de que havia uma promessa de que este assunto não seria mais tratado na atual gestão. Estamos vivendo uma das maiores crises política e financeira da nossa história e temos que assistir diariamente enormes escândalos de corrupção, baixa produtividade e efetividade das ações do nosso Legislativo e setores públicos”, protesta Leandro.

 

Com tanta insatisfação por parte da população, ter recebido a notícia do aumento de vereadores fez crescer o desejo de mudar essa realidade. Para os manifestantes, essa atitude por parte dos vereadores é uma medida que visa somente ao benefício de alguns, e não de toda a população.


Ação rápida

 

O mesmo grupo de empresários que havia tomado a iniciativa na trincheira encabeçou esse movimento. O tempo para se organizarem foi de menos de uma semana.  “Recebemos o apoio maciço da população, que entendeu nossa causa e se posicionou. O comércio foi convidado a se manifestar fechando as portas durante uma hora no dia anterior à sessão da Câmara em sinal de protesto. A imprensa veio em peso e favorável a nossa causa, atingimos noticiário nacional e mostramos a força da população. Vencemos novamente”, comemora o arquiteto.

 

Para que a ação tivesse efeito imediato e conseguisse unir a população, o grupo de empresários precisou deixar o trabalho de lado e dedicar-se à manifestação. Em pouco tempo conseguiram custear as despesas dos panfletos e as camisetas do movimento e, por meio das redes sociais, unir a população. “O que mais nos impressionou e emocionou foi nos depararmos com cidadãos iguaçuenses que não pertencem a nossa rede de relacionamento e que estavam no dia da sessão da Câmara apenas porque sabiam que já haviam pessoas lutando pela mesma causa e que deveriam fazer seu papel como cidadão”, conta Leandro.  

 

O resultado desse manifesto foi positivo, pois não houve aumento no número de cadeiras. Além disso, mostrou que a população está mais atenta e com vontade de agir. “Este movimento ainda não terminou. Estamos nos organizando para a próxima etapa, agora com muito mais força”, finaliza o arquiteto.

 

 

 

Foto do Leandro Costa. “Estamos muito acomodados. Estamos sofrendo com uma péssima estrutura na saúde, educação, segurança, e estamos vendo escândalos e mais escândalos de corrupção sendo anunciados diariamente na mídia, e a população não se mexe. Me parece que as pessoas não se deram conta de que todo este dinheiro da corrupção é nosso. Só estamos nesta crise financeira, política e estrutural por nossa própria acomodação! Mas nós temos a possibilidade de mudar esse cenário, e a forma mais democrática e de maior resultado é saindo pacificamente às ruas para nos manifestarmos. Político tem medo quando o povo se manifesta. Aliás, é a única coisa de que eles têm medo.”

 

 

DEPOIMENTOS

 

Elizangela de Paula Kuhn – Contadora/empresária

 

“Participo dos movimentos organizados pela sociedade civil porque acredito que somente com essa mobilização é que os nossos representantes do Executivo e Legislativo ouvirão os verdadeiros anseios da nossa sociedade. Nos movimentos organizados sinto um senso de coletividade, pensando no que é melhor para a cidade, desprovido de interesses e vaidades pessoais. Somente teremos a Foz do Iguaçu que desejamos quando os movimentos organizados pela sociedade civil, as entidades representativas de toda a sociedade e o poder público falarem o mesmo discurso e lutarem pelos mesmos projetos.”

 

 


Paulo Quintella – Administrador/empresário

 

“Eu participei dos dois movimentos. Na realidade, junto com outros amigos (Leandro Costa, Renato Latrônico, Renato Camargo e José Pimenta) lançamos a ideia e partir daí buscamos novos nomes dentro do nosso círculo de amizade para que se juntassem a nós. Mas sem a presença da população, nenhum movimento teria sucesso. Esperamos que sempre possamos ter o apoio da população e, claro, desde que as reinvindicações sejam em prol de todos os cidadãos. E já temos algumas ideias para esse ano, que em breve estaremos pondo em prática.”

 

 

Laudelino Antônio Pacagnan – Administrador/empresário

 

“Participei dos dois movimentos que aconteceram em nossa cidade. A minha motivação para participar foi a luta contra o descaso e o desperdício do dinheiro público. O desperdício, que também pode ser chamado de mau uso do dinheiro público, em especial no movimento recente contra o aumento do número de vereadores. É de suma importância mobilizar a população, buscando levar a informação correta, conscientizando da nossa responsabilidade na reação diante de tantas deformidades. Precisamos reagir, e com urgência, para que em 2016 possamos ter uma cidade melhor e principalmente que tenhamos uma população atuando com responsabilidade na escolha dos nossos representantes e no acompanhamento efetivo da execução das suas responsabilidades.”

 

 

Renato Camargo – Engenheiro/empresário

 

“No movimento da Av. Paraná queríamos mobilizar a sociedade devido ao transtorno causado pelo descaso dos órgãos públicos na condução daquela obra. Com muita dedicação e altruísmo, o grupo foi aumentando e conseguimos mobilizar a população, imprensa e autoridades. E este grupo não parou de conversar e pensar sobre todas as necessidades da cidade em que poderíamos contribuir. Quando surgiu esta proposta estapafúrdia de aumento do número de vereadores da Câmara de Foz, rapidamente nos reunimos e o grupo aumentou. O engajamento da população, nos dois movimentos, nos impressionou, porém foi aí que entendemos que nossa sociedade é muito ativa e participativa e necessitava de uma centelha para despertar a importância da expressão popular. Para 2016, apesar das turbulências política e econômica de nosso país, espero que a sociedade civil organizada continue ativa, com esse grande poder de mobilização para expressar seus desejos, e que o empresariado faça a sua parte, girando a roda da economia com muita esperança e fé.”

 

 

Renato Latrônico – Dentista/empresário

 

“Sempre gostei da política, participei durante minha época de estudante de vários movimentos estudantis, e quando vi a oportunidade de fazer a diferença pela cidade que eu acredito não titubeei. Tudo que vem do setor público é lento e demorado. Essas características fazem com que as pessoas nem tentem lutar. É cansativo, leva tempo, nosso dinheiro, e na maioria das vezes não vemos resultados. Como não somos ensinados a desde pequenos lutar por esse tipo de direito e a brigar por uma organização da política, poucos são os que lutam. O movimento contra o aumento de vereadores ainda está vivo. Precisamos hoje de vereadores que honrem o significado da palavra, que pratiquem o verbo verear: ‘vigiar sobre a boa polícia da terra, reger e cuidar do bem público’, e não que achem que a população está aqui para lhes servir. Espero que em 2016 as pessoas escolham vereadores que comunguem com estas ideias, que cuidem do nosso dinheiro e gerem desenvolvimento para a cidade.”

 

 

Paulo Pucinelli - empresário

 

“Participei dos dois movimentos. Como cidadão de Foz do Iguaçu, me senti na obrigação de participar, pois esses movimentos eram justos, necessários e apartidários politicamente. A participação é muito importante, existe tanta coisa errada em nosso país, que não podemos fazer nada, mas aqui em nossa cidade, perto da gente, cabe a nós tomarmos um posicionamento em defesa do interesse da grande maioria de nossa população. Espero que Foz do Iguaçu continue se desenvolvendo apesar de todo cenário negativo político e econômico do país. Foz do Iguaçu sempre teve muitas oportunidades pela Tríplice Fronteira, pelo turismo, por estar em uma região de forte agronegócio e também por estar se consolidando como um polo universitário.”