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Foz do Iguaçu

Nilton Pabis e a força da ADJORI no Paraná

Nilton Pabis e a força da ADJORI no Paraná
Denys Grellmann Denys Grellmann
13/11/2015 15:50hs
Quando o jornal entrou na sua vida?

O cara de quem eu comprei o jornal (Folha de Irati), o Orlando, era envolvido com política. Eu trabalhava com lavoura e tinha carreta. Então meu foco era outro, era o campo. O Orlando conhecia meu pai, falecido já. Acabei decidindo trabalhar com ele um período. Quando terminou a campanha, disse para eu continuar no jornal. Fui e trabalhei seis meses, mais ou menos. Daí pedi um tempo e saí fazer uma viagem, com meu caminhão, na Bahia. Fui buscar uma oportunidade de serviço e nessa viagem tombamos o caminhão. Nesse período, eu acabei não voltando mais ao jornal. Tinha seguro, acabei comprando outro caminhão e fiquei focado mais na estrada e abandonei o jornal. Em 2001, tive uma cirurgia na perna, e o meu médico me proibiu de voltar a trabalhar com o volante. Quando Orlando ficou sabendo que eu ia parar, me chamou novamente. “Volta para o jornal, que estou precisando de um gerente”. Falei: “Beleza, já conheço a turma que trabalha no jornal”. Um ano depois disso, ele falou que ia vender uma parte; e eu tinha vendido a carreta, comprei. Eu tinha um professor chamado Argeniro Miroca, na sétima série, e esse cara trabalhou muito jornal com a gente. Ele trabalhava jornal impresso, jornal apresentado. Eu nunca sonhei ou tive a expectativa de trabalhar, mas quando apareceu a oportunidade eu já tinha esse conhecimento.

Diferente das redes sociais, que acabam dando para vocês, por meio dos algoritmos, só assuntos com os quais possuem afinidade, o jornal ou revista chega de uma forma distinta e com a amplitude de unir várias ideias no mesmo espaço...

Exatamente, e o impresso tem profissionais formados trabalhando por trás dele, o que dá segurança na informação que você recebe. Claro que tudo isso depende do veículo de comunicação, mas você tem um corpo de jornalistas atrás que dá embasamento na decisão. O jornal tem lado ou não tem? Muita gente fala que o jornal tem que ser independente, não ter lado. Eu discordo um pouco disso, porque toda pessoa tem o lado natural. O que o jornal faz, ele prepara informações numa situação que permite a pessoa concordar ou discordar. Mas por que ele é fundamental? Leva a pessoa à reflexão. Em Irati tem uma lei que proíbe que a pessoa tome bebida alcoólica em espaços públicos. Na rua, na praça. O que o jornal fez? Fotografamos o pessoal bebendo, fizemos uma matéria, levamos ao conhecimento da população isso. Agora, se o cara vai beber ou não em lugar público, depende dele.

Qual o papel do jornal na cidade? Irati tem quantos habitantes?

Irati tem 60 mil aproximadamente. O jornal circula em 14 cidades. Eu entendo que o jornal não tem que expandir mais de onde ele circula, mas ele tem que estar forte nessa região. A nossa missão é justamente ser a voz de quem não tem voz. O pessoal fala que o jornal vai acabar, mas não vai acabar enquanto ele cumprir o papel de dar voz a quem não tem. Trazer discussões à tona, que precisam ser levantadas pela sociedade e que, às vezes, não são enxergadas. Tenho uma tese comigo, que o jornal é um espelho da comunidade. Se você pegar o jornal, ou a Revista 100 Fronteiras, de 2005, vai ver que a realidade da comunidade era aquela, o que está estampado no impresso.

Como foi o convite para ser presidente da Adjori-PR?

Foi natural. Eu não aguento ver uma coisa e não me envolver. Fui sugerindo novas ideias, e o Sergio me convidou para assumir o lugar dele. Eu entrei primeiro como tesoureiro, até por uma questão burocrática. Então, como o Sergio (Jonikaits, ex-presidente da Adjori) morava no Sudoeste, o tesoureiro tinha que ficar no eixo de Curitiba, porque a maior parte das funções acontecem na capital. Fui me aproximando, fui conhecendo, e o Sergio sutilmente foi me preparando para eu assumir o lugar dele, desde 2012. A vantagem da Adjori é o seguinte: desse grupo que está na direção desde a época do Sergio, foram renovadas algumas pessoas, é um grupo que conversa muito. A Adjori acontece porque é uma decisão dos associados.

Como era o trabalho do Sergio à frente da Adjori?

O trabalho de associativismo é muito difícil. O Sergio conseguiu despertar isso. O trabalho veio crescendo, fez a entidade ser conhecida, até porque a sigla é diferente das outras. As pessoas ficavam em dúvida. O trabalho foi fazer essa valorização, conhecer e saber que a Adjori representa um grupo de jornais e revistas dentro do estado do Paraná. É um grupo coeso, unido, que vale a pena investir. Esse resgate social o Sergio fez muito bem. Eu peguei o barco andando.

A Adjori cresceu e se fortaleceu no papel impresso. Qual o futuro agora? Você vê as novas mídias convergindo? Os associados da Adjori estão preparados para o que vem por aí?

Não sei se posso dizer que estamos preparados para o futuro, mas estamos procurando conhecimento para o equilíbrio entre o digital e o impresso. Trazer a agilidade da imprensa nos meios eletrônicos, sem perder a credibilidade do impresso. Muitas vezes acontecem os eventos, aconteceu essa tempestade ontem à noite. O jornal impresso vem complementar isso. É mais analítico. O impresso precisa da internet, mas só tomar cuidado para que ela não interfira no seu impresso. Mas comercialmente terá espaço nos dois. A grande dificuldade hoje é de como ter uma forma clara de como rentabilizar na internet.

A força da entidade está na unidade?

Ninguém consegue crescer sozinho. Todo mundo depende dessa forma de associativismo. É um crescimento que o futuro nos coloca a frente, se vai colocar outras ferramentas de divulgação pela internet, outros meios. A Adjori procura fazer na forma do associativismo, unir os jornais e revistas para que eles consigam galgar conquistas importantes. A gente vem conseguindo isso, pouco a pouco de forma sólida. Isso que é interessante, não adianta crescer muito e não ter solidez. A questão da Rede Paraná fortalece muito. Essa forma de amarrar as pontas, de juntar tudo isso, que os jornais e revistas associados consigam perceber que é a única forma que podem ser enxergados. Se você for a agências de publicidade de Curitiba, ou a Brasília, de forma independente buscando mídia, você não consegue resultado. Agora, a partir do momento que você chega em Curitiba e fala, eu não represento apenas um veículo, e sim 40, 50, 60 dentro do estado do Paraná. A sua receptividade é outra. A gente precisa entender que os jornais e revistas não são adversários. São concorrentes. Mas para que eles consigam sobreviver precisam estar todos juntos.

Quantos associados a Adjori tem hoje?

Hoje, ao todo, temos 56 associados, mas atuando na rede estamos em 28 jornais e revistas. Esse projeto da rede que a gente montou, que é um espaço onde a gente consegue colocar o mesmo conteúdo distribuído em todos os impressos, acho que deu uma nova cara para Adjori.

Isso é revolucionário. A gente vê que os grandes jornais, a grande imprensa, estão sofrendo queda de tiragem, de anúncios, algo que não é o mesmo reflexo nos jornais e revistas locais. O diferencial dos impressos hiperlocais é estar perto dos leitores?

A rede da Adjori conseguiu mesclar esse conteúdo do hipercomunitário, dele estar muito próximo da comunidade, de levar o quesito da informação próxima, que é da rua, reivindicação do povo. Sua foto no jornal da sua cidade, ele tem essa posição, ou está na coluna social, ou na foto do campeonato amador. A Rede Paraná mescla isso porque ela consegue colocar o mesmo conteúdo a nível estadual, pega todos os associados com essa característica radicular. São de raízes, vão permeando por onde os grandes veículos não conseguem chegar. A gente consegue colocar uma informação unificada, atingindo muito mais.

Como funciona na prática a Rede Paraná?

Tem uma equipe que a Adjori contratou para gerar o conteúdo. Discute o tema e faz diagramação. A equipe da Adjori distribui nos 28 órgãos filiados, que aceitaram nesse momento participar da rede. A publicação deles acontece no prazo de até uma semana. Tem impresso que é semanal, bissemanal, tri, mensal e outros diários. Então, conforme o dia que você dispara, a rede vai uma semana para vincular esse material. Alguns coloridos, outros preto e branco, mas é um conteúdo pronto. Todos os impressos que publicam a rede mandam a edição para nossa equipe.

Qual a tiragem da Rede Paraná?

Ultrapassa 120 mil exemplares.

Dá para dizer que a rede em cooperativa é um dos maiores veículos de comunicação do estado?

Exatamente, a ideia surgiu na Adjori em Santa Catarina. Lá está dando muito certo. Estamos no começo de nossa rede, vimos que a entidade passou a ser vista e tratada de outra forma. O presidente da Adjori Brasil, o Miguel Gobi, ele fala da expressão “um canhão editorial”. E isso é verdade. Nesse momento nós conseguimos atingir mais do que os grandes jornais do Brasil em tiragem, de uma forma unificada, toda focada no estado do Paraná, de uma forma diluída ainda, porque os grandes veículos impressos hoje não conseguem chegar nas pequenas e médias cidades. Nós conseguimos, esse é o diferencial.

Qual é o conteúdo divulgado?

Os assuntos postados na rede até o momento são assuntos voltados à economia. Outras pautas que são interessantes para o Paraná são discutidas na rede. Por exemplo, a renovação das concessões de pedágios. A questão do Mercosul. São assuntos que conseguimos discutir pela rede. Vamos conseguir balancear com informações do interior e também com informação que precisa ser discutida a nível de estado.

Você citou o presidente Miguel Gobi. Qual o papel dele na entidade do Paraná e nas Adjoris Brasil e Santa Catarina?

A entidade de Santa Catarina, das Adjoris do Brasil, é a mais organizada. Essa experiência que o Miguel Gobi possui como presidente da Adjori de Santa Catarina e Adjori Brasil. O papel é pegar as expertises, caminhos, conhecimentos que a gente tem e levar à nação. Se a Adjori procura, a nível de Paraná, organizar os jornais e revistas, dar fortalecimento a eles e se tornar visto pela sociedade civil organizada, esse mesmo trabalho é feito pela Adjori Brasil: discutir a nível nacional e unificando os veículos, porque no Sul tem impressos extremamente bem organizados. Mas, sem nenhuma discriminação, em outros lugares tem impressos que precisam de suporte. A Adjori vem dar esse suporte nos treinamentos, nos cursos. É um caminho bastante longo, porque tratar desse associativismo no Sul do Brasil é uma situação; tratar disso em outras áreas do Brasil é outra situação. Então essa expertise que é criada aqui é procurada difundir em outros estados, para que se coloque o mesmo ritmo que tem em Santa Catarina.

O 24º Congresso da Adjori será em Foz do Iguaçu em 20 de novembro. Por que Foz?

Na verdade, Foz do Iguaçu era um destino que deveria ter acontecido antes. Pelo grande complexo turístico que existe na cidade, existem alguns mitos de você pegar e dividir o seu público de um congresso com as belezas naturais, porque o pessoal quer aproveitar tudo. Mas a gente viu essa necessidade e usou de forma invertida. Percebendo que os atrativos que a fronteira tem, em vez de ser dissipador do congresso, na verdade é um agregador. O pessoal vem mais empolgado porque o congresso é na terra das Cataratas. Os últimos dois congressos foram no interior do estado. Congressos mais incubados em lugares que não tinham como o pessoal dividir, e tivemos um bom êxito. Mas a gente vê que é hora de alternar isso e trazer para a Tríplice Fronteira, justamente potencializando isso. No congresso trazemos informação, discutimos temas que são interessantes para a categoria. Precisamos estar constantemente se reinventando.

Além de capacitação existe a tradicional premiação da entidade...

O Troféu Araucária de Jornalismo nasceu para premiar os melhores trabalhos dos associados da Adjori. A gente percebe que ano a ano os jornais e revistas, através dos prêmios, procuram se qualificar, corrigir algumas falhas que acontecem durante o processo da elaboração, para que possam obter prêmios pela qualidade apresentada. Os critérios são da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), que é parceira e elabora o prêmio de jornalismo através do curso de Jornalismo. De forma independente, a gente só fica sabendo na hora. Eles trabalham com o regulamento do prêmio, a gente avaliza, e a partir daí as inscrições são todas com eles. A nossa parte é fazer a motivação para que os associados participem. O restante da premiação é toda através da universidade.

O que Foz do Iguaçu e a Tríplice Fronteira podem esperar da Adjori?

Eu acho que justamente esse retorno, essa divulgação de que o Destino Iguaçu está capacitado para receber o turista. O quanto que Foz do Iguaçu evolui e a importância que tem esse importante destino turístico no Paraná. Isso os jornais e revistas poderão mostrar, essa beleza e capacidade de sediar grandes eventos estaduais, nacionais e internacionais. Por estar na fronteira, Foz se destaca em todo o país, até pela mobilização da sua gente. É uma das cidades que mais se pontua, não só por seu potencial turístico, mas pela forma que interage, mas essa fórmula precisa ser levada não só para o resto do estado, mas para todo o Brasil.

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