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Foz do Iguaçu

Memórias de Foz com Maria Vicença M. Balotin

Memórias de Foz com Maria Vicença M. Balotin
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06/04/2015 00:00hs

Maria Vicença M. Balotin Maria é uma avó “moderna”. Possui uma conta no Facebook, vai a encontros e viagens com seus colegas professores aposentados, pratica hidroginástica, gosta de nadar e, ainda por cima, toca violão – e toca MUITO bem.

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Nasceu em 20 de agosto de 1945 em Lauro Müller, Santa Catarina. Em 1950, a família se mudou para Mangueirinha, no Paraná, onde seu pai construiu uma serraria. Em 1956, mudaram-se novamente, dessa vez para a cidade de Porto União, Santa Catarina. No ano de 1958, conheceu o seu Juvino, amor de sua vida, durante uma viagem de família para São Lourenço do Oeste, também em Santa Catarina. Ela se lembra, como se fosse ontem, daquele “moço bonito, de olho azul”, de 23 anos, que era dono de um bar onde foi comprar um sorvete. Mas ela ainda era uma menina de apenas 13 anos e não queria namorar. O que fez o rapaz de olho azul ficar mandando recados por cinco anos, tentando fisgar o coração da sua amada por meio de amigos e cartas.

Somente em 1963, quando já era maior de idade, resolveu ceder e entregar seu coração ao pretendente, e namoraram até 1965, quando se casaram em Porto União, onde a noiva morava, e foram residir em São Lourenço do Oeste. Viveram lá até o ano de 1978, quando seu cunhado, irmão do seu Juvino, fez uma proposta para que ele fosse trabalhar no ramo de carne na cidade de Foz do Iguaçu; e ela, professora, lecionar. Deu aula nos colégios Anglo-Americano, Monsenhor Guilherme, Castelo Branco, Barão do Rio Branco, Almirante Tamandaré e Tarquínio Santos, da já extinta matéria Educação para o Lar, que ensinava às alunas trabalhos manuais, nutrição, receitas de comidas, manicure e noções básicas de costura.

Casamento

Chegaram à cidade cosmopolita em 1978 e estabeleceram sua residência no bairro Parque Presidente. Ela lembra que havia pouquíssimas casas de moradia, as ruas não tinham calçamento, eram só barro e muita poeira. Os filhos (César, Jovimari e Janine) tinham de ir ao colégio com um saco plástico nos calçados para não embarrar e chegar com os pés limpos. Também se recorda que para ir ao Colégio Barão do Rio Branco as ruas também eram de chão batido. Para chegar à Itaipu Binacional só existia a Avenida JK.

“Eu amo Foz do Iguaçu. Amo mesmo, sinceramente. Não sei se eu teria vontade de sair daqui pra morar em qualquer outro lugar”, afirmou. Maria é apaixonada por música. Sempre sonhou em tocar algum instrumento musical. Comprou um violão e tentou fazer todos os filhos tocarem, entretanto não teve sucesso. Quando a aposentadoria chegou, ela resolveu aprender. Mas havia um porém, dona Maria, quando foi limpar em cima de um armário da cozinha de sua casa, em 1989, resvalou e prendeu a aliança em um prego, o que a fez perder o dedo anelar da mão esquerda.

Formatura

No ano de 2000 tomou coragem e foi conversar com um professor perguntando a ele se daria para inverter as cordas do violão para que ela pudesse fazer os acordes com a mão direita. Ele respondeu que seria possível, mas teria mais dificuldades, pois além de aprender algo novo iria aprender contra a sua natureza por ser destra, contudo a força de vontade prevaleceu, e ela aceitou o desafio.

Se não conseguiu fazer nenhum filho aprender a tocar o violão, levou com ela seu neto, Felipe Balotin, na época com 8 anos, que aceitou ir com a avó. Não só ele. Influenciou o César Augusto e o Mateus, também netos, e que tocam o instrumento. E diz que as netas Raquel e Maria Clara têm o dom para a música. “Meus filhos não aprenderam, mas eu tive muita felicidade que meus netos tocam. De vez em quando nos reunimos, os quatro, e tocamos juntos”, contou.
Ela pratica hidroginástica e vai à casa da filha Janine nadar. E isso também não foi fácil, pois tinha pavor só de colocar o pé na água. Mas assim como aprender a tocar violão, ela venceu o desafio. Diz a lenda que Maria faz o melhor sonho da cidade – coisa que eu não posso afirmar de jeito nenhum, senão dona Elida, minha avó, mata-me.

Ao fim da entrevista, fez questão de pegar o violão – para a minha sorte, claro, que tive direito a um show particular. Já no portão, combinamos que nos falaríamos pelo Facebook. Sim! Ela é mãe e avó coruja e está sempre acompanhando os filhos e os netos na rede social.

Dona Maria, quando eu crescer... Tá, quando eu ficar mais velha quero levar essa vida ativa que nem você!

Por: Annie Grellmann

Foto: Annie Grellmann e arquivo pessoal

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