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Foz do Iguaçu

MEMÓRIAS: Carlos Paredes

MEMÓRIAS: Carlos Paredes
Annie Grellmann Annie Grellmann
23/05/2017 15:00hs

 

É possível que você já o tenha visto caminhando de lá pra cá pelas ruas de Foz. Foi assim que o encontrei várias vezes antes de escrever esta matéria. Entre um aceno e outro, surgiu a pauta de entrevistá-lo, e não é para menos, pois Carlos Paredes é um iguaçuense nato. Nasceu na cidade e é apaixonado por morar aqui, discute sobre o município e quer um futuro melhor para a neta.

 

Desde o nascimento, nunca arredou o pé daqui. Já são quase 63 anos. Que bom para nós! Assim podemos saber das tantas histórias que ele tem para contar. Para isso, é preciso voltar ao tempo em que Carlos ainda nem era nascido.

 

A sua avó Dorotéia veio ao Brasil em função da pobreza do Paraguai no pós-Guerra do Chaco. Ela vivia então em Coronel Oviedo. Conheceu lá o marido, que era técnico de usina de carvão, e foram erradicar-se em Guaíra. Em 1964, ela resolveu vir morar em Foz do Iguaçu juntamente com os filhos porque o município era a nova frente de movimento – o avô de Carlos, por conta do trabalho, ficou em Guaíra.

 

Já o pai dele, Dorotéu Paredes, veio trabalhar na construção da Ponte da Amizade. Conheceu a mãe de Carlos, Francisca Antônia Paredes, e o concederam ao mundo. Quando tinha apenas 1 ano e 8 meses de idade, sua mãe faleceu. A avó contava que ela estava preparando a festinha de 2 anos quando foi diagnosticada com leucemia – na época falava-se que tinha açúcar no sangue. Não havia cura.

 

Carlos e os primos iam visitar o avô, pegavam ônibus às 7 da manhã e chegavam a Guaíra por volta das 3 da tarde com as orelhas cheias de terra por conta da estrada de chão.

 

Ele passou a viver com a avó Dorotéia – que se tornou sua mãe – no eixo central, na Rua Bartolomeu de Gusmão com a Avenida Brasil. Passou a infância por ali e cultiva boas lembranças. Brincava com os tios, que passaram a ser seus irmãos, e os vizinhos Oscar Abadie e Farid Damen. “Naquela época, eu nem sabia que minha mãe estava falecida, pra mim minha mãe era minha avó. Só soube mais tarde”, diz.

 

Dorotéia trabalhava trazendo compras da Argentina. “Quando ia pra Argentina, os moleques ficavam soltos, todo mundo na rua pra jogar bola. Eu era o menor, e minha avó sempre alertava meu tio: ‘Ó, cuida do Carlinhos’”, conta aos risos, falando que era o mimado que pegava a bola e saía correndo.

 

O primeiro emprego

Com 13 anos, Carlos começou a trabalhar na Casa da Chita. Tirou a “Carteira Profissional do Menor” – a idade era 14 anos. Porém a avó foi junto à prefeitura e falou com o falecido Saulo Fernandes, dizendo que o neto iria trabalhar com o seu Meireles. Ele, então, conseguiu uma autorização do Ministério Público para o menino.

 

Atuou como uma espécie de leva e traz de documentos a bancos e despachantes. Permaneceu na exportadora até os 17 anos, quando um gerente do Banco Comercial do Paraná o chamou para trabalhar com ele. Ficou lá até os 20 anos e saiu do emprego. Desta vez, um homem chamado Antonio Carlos Braga o convidou para fazer parte da equipe no escritório Braga. Trabalhou na empresa até fazer o concurso do Banco Banestado e passar de primeira na prova.

 

A Casa da Chita – uma das maiores exportadoras de tecido da cidade – todo mundo conhecia. O proprietário, já falecido, Rodolfo Meireles, transportava os produtos para todo lugar: Paraguai, Venezuela, Colômbia...

 

Proprietário de uma das primeiras lanchonetes de Foz, a Lanchonete Pop, que ficava em frente ao Hotel Salvatti.

 

MEMÓRIAS: Carlos Paredes

“Dona Meio-Quilo”

Quando Carlos tinha 18 anos, Dona Dorotéia vendeu a casa da Bartolomeu de Gusmão e foi morar onde hoje é o Martelinho de Ouro. Construiu uma pensão. “Um famoso que ficou na pousada foi o Kid Chocolate – treinador do Flamengo, popular no meio esportivo –, que inclusive escolheu Foz pra morar”, lembra Carlos.

 

Dona Dorotéia era conhecida como “dona Meio-Quilo”. O apelido surgiu porque quando ia até a Argentina fazer compras, voltava com a cota que ultrapassava o máximo permitido. Os fiscais diziam para ela: “Dona Dorotéia, aqui parece que tem mais do que pode levar”. E ela sempre respondia: “Aqui só tem meio quilo”. Eles, então, deram esse codinome a ela. Ao avistá-la de longe, já nem ligavam e diziam: “Lá vem a dona Meio-Quilo”. O apelido pegou na cidade.

 

MEMÓRIAS: Carlos Paredes

O casamento

Com 20 anos, Carlos conheceu Iraci, a futura esposa. Ela trabalhava na extinta Churrascaria Grenal, localizada perto do hoje Cataratas JL Shopping, em uma esquina no bairro Maracanã.

 

Iraci atuava na cozinha do restaurante – reza a lenda que ela o fisgou pelo estômago. Na época, Carlos tinha ganhado uma moto da avó, comprada na Paraguaçu Automóveis, primeira revenda de motos de Foz do Iguaçu.

 

Ele sempre passava em frente ao restaurante para pegar a BR-277. Certo dia, ele resolveu parar e conversar com a moça. Começaram a namorar em janeiro de 1975, e em dezembro já estavam casados.

 

Dona “Meio-Quilo”? Ficou com ciúmes e apelidou Iraci de “Gringa”, pois era filha de italianos. A ciumeira foi porque Carlos era o caçulinha, e Dorotéia queria que ele ficasse com ela. O neto, porém, casou-se mesmo assim.

 

O terreno no bairro Consalter, onde mora até os dias de hoje, ele “ganhou” do seu Meireles – dono da Casa da Chita, que disse para Carlos e a esposa construírem lá. Não ganhou, na verdade, porque a avó tinha feito um investimento com Meireles anos antes, comprando ações de telefones, e isso resultou na moradia para o recém-casal.

 

MEMÓRIAS: Carlos Paredes

Avô dedicado

Carlos se aposentou pelo Banco Banestado/Itaú em 2013. Do matrimônio com Iraci nasceu Júnior em 1976. Em 2008, a vida coloriu-se com a chegada ao mundo da neta Maria Eduarda.

 

Autointitulado “avô babão”, leva e busca Maria Eduarda aos cursos que ela faz. Também vai a apresentações no colégio. Enfim, está sempre presente desde que ela perdeu o pai. Parece espelhar-se no mesmo cuidado que dona Dorotéia teve com ele. Conta, todo orgulhoso, que a vida com a netinha é mais colorida.

 

Além de cuidar de Maria Eduarda, de vez em quando ainda atua como contador – somente para pessoas físicas. Gosta também de jogar futebol, e todas as sextas-feiras vai à Associação do Banestado – quando a neta não tem compromisso, claro.

 

MEMÓRIAS: Carlos Paredes

LINHA DO TEMPO:

Data de nascimento de Carlos Paredes – 26/9/1954

Data de casamento com Iraci Paredes – 20/12/1975

Data de nascimento do filho, Carlos Paredes Júnior – 5/8/1976

Data de nascimento da neta, Maria Eduarda – 5/1/2008

Data da aposentadoria do Banestado/Itaú – dez/2013

 

 

Annie Grellmann

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