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Foz do Iguaçu

Harry Schinke: O homem que Foz não deveria esquecer

Harry Schinke: O homem que Foz não deveria esquecer
Annie Grellmann Annie Grellmann
12/01/2016 10:42hs

Fotos: Maria Elizabeth Carinzio e Acervo Memórias Cataratas

 

Harry tinha olhos bem azuis, cabelo amarelo cor de milho, estatura mediana. Nem alto nem baixo. O corpo, nem magro nem gordo. Cabeludo. Não gostava de cortar o cabelo baixinho, mas barba também não lhe agradava. O rosto estava sempre “liso”. Suas vestes habituais eram de cor azul-claro e caqui. As cores escuras, assim como o escuro do desconhecido, não o encantavam.

 

Era uma pessoa ligada aos acontecimentos do mundo. Com sede de vida, queria saber como as coisas eram feitas, conversava muito com as pessoas, discutia assuntos. Não gostava de política, porém sempre pensava em progresso, desenvolvimento. Estranho seria não o encontrar sentado numa cadeirinha de madeira com um livro na mão, aprendendo. Poliglota, falava diversas línguas, entre elas: Inglês, Português, Espanhol, Alemão.

 

Um apaixonado pela natureza. Não conseguia passar um fim de semana sem querer ir ao Rio Iguaçu e Ocoy, e era sempre ele quem agitava o badalo. Chegava o fim do ano, Harry fazia questão de que os irmãos de São Paulo e da Bahia viessem para a Tríplice Fronteira. Juntavam-se à beira das Cataratas do Iguaçu e da já extinta Sete Quedas e montavam camping, onde pescavam, remavam, cozinhavam. Nem naquele lugar de paz Harry sossegava, pois estava sempre disposto a ensinar.

 

RIO OCOY-Afluente do Rio Paraná, ficava um pouco depois da região de Bela Vista, onde foi construída a Itaipu.

 

Em um desses festejos, ensinou o netinho Vilmar a nadar.

 

Harry: “E aí, Harrison, o piá já sabe nadar”?

 

Harrison: “Acho que não, pai”.

 

Harry, antes de empurrá-lo na água, disse rapidamente:

 

“Vilmar, você vai se debater um pouquinho, e o vô vai cuidar”.

 

Jogou o menino, que começou a debater-se e a olhar para aqueles dois malucos. Harry e Harrison começaram a gritar:

 

“Que nem um cachorrinho, filho”.

 

De repente o menino começou a bater os braços na água. Não se afogou. Nadou.

 

Ao sair do rio, o neto avistou um passarinho, pegou um estilingue e acertou bem em cheio o bichinho. O avô o pegou em flagrante e disse:

 

“Você não tem que atirar no pássaro, ele não faz mal a ninguém. Aliás, canta muito bem”.

 

Aprendeu outra coisa que não esqueceria pelo resto da vida.

 

Harry Schinke: O homem que Foz não deveria esquecer

Vilmar Schinke desfrutando da natureza em homenagem ao avô

 

Chegando a Foz

 

A família Schinke veio da Alemanha ao Brasil e se estabeleceu em Joinville – Santa Catarina. Os irmãos Carlos e Frederico resolveram ir para São Paulo; Harry, a Foz do Iguaçu.

 

De acordo com a mulher, Maria Conceição, conhecida como Marieta (em entrevista dada ao Jornal Nosso Tempo em 1981), Harry Schinke chegou a Foz em ano desconhecido, a pedido do médico Amilcar Barca Pellón, para montar o primeiro laboratório da cidade, a Casa da Profilaxia. Na época quem cuidava dessa área era um sujeito chamado Castillo, que foi embora do município.

 

Ator

 

Harry foi artista junto com o primeiro prefeito de Foz do Iguaçu, Jorge Schimmelpfeng. Eles formaram o primeiro grupo de teatro da cidade. Mesmo com suas respectivas funções, eram também atores. O médico Amilcar, por exemplo, fez papel de advogado. O prefeito Jorge, de padre.

 

Curiosidade: Harry conheceu um engenheiro francês que estava no Brasil para construir a estrada de ferro de Curitiba a Guarapuava. Esse francês o apresentou a filha Maria Conceição, com quem Harry casaria e viveria até o fim da vida.

 

PROFILAXIA – Parte da medicina que estabelece medidas preventivas, utilizando procedimentos e recursos para manter a saúde da população. Exemplos: vacinação, medidas de higiene, cuidado com a alimentação.

 

Na parte do laboratório, Harry foi pioneiro em manipulação de medicamentos para a comunidade da fronteira. Aprendeu na Alemanha e passou a aperfeiçoar-se com livros estrangeiros. Quando chegava alguém com uma doença da qual ele não entendia, passava a noite inteira olhando para o microscópio para tentar definir o problema. Como um bom autodidata, descobria remédios e os criava. Na época existia muito problema de febre amarela, tifo. Quando ele conseguia a fórmula certa, guardava. Se outra pessoa chegava com os mesmos sintomas, Harry já tinha o remédio.

 

Curiosidade: Harry Schinke e Moisés Bertoni foram grandes amigos. Bertoni morreu na propriedade de Schinke tentando curar-se da malária em 1929. Os dois eram compadres; ambos padrinhos do filho um do outro.

 

Curiosidade: Na época da Primeira Guerra Mundial, a maioria dos alemães vindos do exterior ficava em Joinville. Os militares brasileiros achavam que eles viriam da Europa concentrar-se na cidade catarinense e fazer uma “cabeça de ponte”. Todos os germânicos que moravam nas orlas foram expulsos. Eles teriam de viver afastados no mínimo 200 quilômetros do litoral.

 

Cabeça de ponte: termo militar que se refere a uma posição provisória ocupada por uma força militar em território inimigo, do outro lado de um rio ou do mar, tendo em vista um posterior avanço ou desembarque.

 

Pioneiro no transporte automotivo

Harry Schinke: O homem que Foz não deveria esquecer

Jorge Schimmelpfeng com um ford bigode atolado

 

Harry conheceu um argentino de Puerto Iguazú cujo filho estava doente. O alemão conseguiu curá-lo. Não cobrou nem pediu nada em troca. A família argentina, como forma de agradecimento, acabou dando de presente um carro, Ford Bigode – o primeiro automóvel da cidade. Até então o meio de locomoção era somente a charrete.

 

Os turistas e a população demoravam em torno de oito horas para ir e para voltar de charrete das Cataratas do Iguaçu. Harry, como bom empreendedor, começou a transportar para as Cataratas as autoridades e turistas que chegavam ao primeiro campo de avião do município – hoje Clube Gresfi.

 

Passado um tempo, ele viu a necessidade de comprar mais carros para atender à demanda da Panair – primeira empresa de avião que trazia os turistas à cidade. Assim abriu o primeiro posto de gasolina, que funcionava em frente à sua casa. E como era o único estabelecimento, Harry ia levar gasolina para abastecer os aviões no “Gresfi”. Ele sabia o horário em que iriam chegar, pegava o carro e seguia para lá.

Harry Schinke: O homem que Foz não deveria esquecer

Harry Schinke com a família

 

Na Marinha

 

Harry, por conta de gostar muito de água, resolveu aventurar-se. Entrou para a Marinha Mercante. Fez história por lá também. Juntamente com o cunhado Pimentel e o filho Harrison Schinke, ele foi buscar as primeiras lanchas da cidade no Rio de Janeiro.

 

Mas não foi tão fácil. Em razão de as ondas serem muito grandes, tiveram receio. Então resolveram levar as embarcações até Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

 

Ao chegar à terra gaúcha, desmontaram a cabine da parte de cima, colocaram-na em trens e assim levaram-na até o Uruguai. No Uruguai montaram a lancha de novo e puseram-na no Rio do Prata. De lá vieram navegando até Foz do Iguaçu.

 

Propriedades

 

O alemão se apaixonou tanto pela Terra das Cataratas que via a necessidade de fazê-la crescer. Ele e mais alguns pioneiros fundaram o extinto Oeste Paraná Clube – o terreno onde funcionava o clube era dele.

 

O primeiro campo do ABC Futebol Clube, antigamente localizado onde hoje está o Hotel Rafain Centro, também foi doado por Harry. Ele gostava muito de assistir a futebol.

 

De onde hoje se encontra o Hotel Carimã até o Parque das Aves era tudo chácara do Harry. Posteriormente, com a chegada da velhice, ele foi vendendo para os hotéis.

Um clique!

 

Antes de Harry eram somente turistas que tinham câmeras e tiravam fotos, e só das Cataratas e das Sete Quedas. O alemão começou a registrar o que estava acontecendo em Foz por conta de curiosidade. Fotografava os aspectos da cidade e do povo e fatos históricos e monumentos.

 

Assim, montou o primeiro “laboratório de fotografia da cidade”. Ele mesmo preparava os compostos químicos com uma máquina reveladora que trouxe de fora. Harry tinha alguma noção do manuseio, mas posteriormente chegou um alemão que o ensinou técnicas novas.

 

O engraçado é que quem ouve falar sobre Harry só o associa com o título de “primeiro fotógrafo de Foz”. O que muitos desconhecem é que isso era somente hobby – fazia por amor. O mesmo amor que ele tinha pela natureza, pela cor verde, pelos livros, pela família, pela comunidade, pela vontade de aprender, de curar, e, acima de tudo, de ajudar e ensinar os outros.

 

Harry Schinke morreu em Foz em 1976 aos 75 anos, vítima de câncer no pulmão. Seu legado ainda continua vagando desconhecidamente pelo município.

 

ARVORE GENEALÓGICA

 

Harry Schinke/Maria Conceição Gongolesky Schinke

Filhos

Lais Lizete Schinke (casada com Luiz Carinzio)

Neta: Maria Elizabeth Carinzio

 

Harrizon Schinke (casado com Rosa Rios Schinke)

Netos: José Vilmar Schinke e Celso Rios Schinke

 

Terezinha de Jesus Schinke (não casou nem teve filhos)

 

Hyde Marieta Schinke (casada com José Carlos Pimentel Bastos)

Não teve filhos

 

Daniel Schinke (casado com Marcia Schinke)

Netos

Cleusa Schinke

Danilo Harry Schinke

Harry Schinke: O homem que Foz não deveria esquecer

No Espaço Memória das Cataratas localizado no Parque Nacional do Iguaçu, existe uma peça que pertencia a Harry Schinke. Ele costumava levar um cantil com água em seus passeios. 

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