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Foz do Iguaçu

Em defesa da história de Foz do Iguaçu

Em defesa da história de Foz do Iguaçu
Carlos Gruber Carlos Gruber
09/09/2015 11:35hs
Uma lei esquecida

Em setembro de 1990, o prefeito Álvaro Neumann sancionou a Lei 1.500 para preservar o patrimônio natural e cultural de Foz do Iguaçu. Praticamente 25 anos depois, a lei nunca passou de palavras escritas no papel. Não foi colocada em prática por nenhum prefeito. Os 40 artigos orientam sobre as regras para preservar imóveis e móveis “de interesse público, dado o seu valor histórico, artístico, ecológico, bibliográfico, documental, religioso, folclórico, etnográfico, arqueológico, paisagístico, turístico”.

Em defesa da história de Foz do Iguaçu

Hoje, para a lei ser colocada em prática, é preciso fazer algumas alterações na formação do Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Ambiental e Cultural da Cidade de Foz do Iguaçu. São 14 integrantes do poder público e da sociedade civil. Mas como a lei é antiga, algumas entidades que têm direito a indicar membros do conselho já não existem mais. Por isso, a necessidade de mudanças. O vereador Nilton Bobato já mandou três requerimentos pedindo as alterações à prefeitura. Dois requerimentos na época do prefeito Paulo Mac Donald e um, em 2013, para o atual chefe do Poder Executivo, o prefeito Reni Pereira, que no dia 8 de junho de 2013 respondeu ao pedido do vereador:

A Fundação Cultural está gestionando junto às Secretarias Municipais deste Poder Executivo a indicação dos membros, no intuito de reinstalar e dar início aos trabalhos do Conselho de Preservação do Patrimônio Histórico, Ambiental e Cultural.



Mais um ano se passou. Até agora, a cidade continua sem conselho, o que é fundamental para a preservação da nossa história.

Em defesa da nossa história

Seis anos e meio atrás, o jornalista Jackson Lima escreveu, nas páginas da Revista 100 Fronteiras, duas reportagens sobre Moisés Bertoni. Na edição nº 39, de dezembro de 2008, ele contou a trajetória do cientista da Suíça até chegar à fronteira. Já na edição nº 40, de janeiro de 2009, Jackson, Lilian Grellmann e Carlos Grellmann conseguiram algo histórico e exclusivo: reunir a bisneta de Moisés Bertoni e a neta de Harry Schinke.

Em defesa da história de Foz do Iguaçu

Agora, a Revista 100 Fronteiras dá início a mais uma bandeira pela preservação da nossa história: começa uma campanha pelo tombamento histórico da casa onde morou o primeiro fotógrafo de Foz e que ali seja construído um espaço cultural para resgatar tudo o que esse pioneiro deixou de herança para as gerações sucessoras. E ainda que no mesmo local haja também um canto reservado ao amigo de Harry, o cientista Moisés Bertoni. Seria o começo de uma homenagem justa a dois homens de destaque: um atrás das câmeras e outro dono de uma mente científica.

Artigo Jackson Lima

Quase oito anos após a reportagem da Revista 100 Fronteiras que escrevi sobre a casa onde Bertoni morreu em 1929, nada foi feito. A casa estava à venda na época. Ainda está. Nos registros suíços sobre Bertoni lê-se a inscrição: Mosè G, Bertoni, 1857 Lottigna – 1929 Foz do Iguaçu. A casa onde ele morreu vítima da malária e do desgosto foi construída e abrigou a família Schinke-Carinzio. Bertoni e família remavam de seu porto até a casa dos Schinkes com frequência. O mesmo fazia a família do primeiro fotógrafo e médico prático de Foz do Iguaçu. No dia 20 de setembro, um dia após a morte do homem conhecido como “O Sábio”, as autoridades de Foz fizeram grandes homenagens.

As bandeiras foram hasteadas a meio mastro; a eletricidade, que era desligada lá pelas 11 horas, funcionou a noite toda; a Marinha colocou um barco à disposição para levar o corpo até o local de sepultamento na propriedade Bertoni, onde está até hoje; o então administrador apostólico de Foz do Iguaçu, monsenhor Guilherme María Thiletzek, foi até o Porto Bertoni para rezar a última missa de Moisés Bertoni. Nada disso aponta para o descaso e esquecimento de Bertoni até hoje.

Em defesa da história de Foz do Iguaçu

A revista lutava na época pela preservação da casa, para que fosse adquirida e transformada em algo que perpetuasse a memória de Bertoni e que ganhou o direito de ser parte da história de Foz do Iguaçu. A casa continua à venda e fechada sem que sequer haja uma placa para lembrar a importância dela.

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